Búlgaros votam em legislativas num país em crise

Num clima de fortes tensões políticas e sociais, 38 partidos e sete coligações apresentam-se domingo às eleições legislativas antecipadas na Bulgária, mas apenas cinco parecem em condições para ultrapassar a barreira dos 4% que garante representação parlamentar.

Em fevereiro passado, o primeiro-ministro conservador apresentou a demissão, após uma inédita revolta popular provocada por um aumento brutal dos preços da energia.

Mas as causas do descontentamento permanecem, num país que em 2007 aderiu à União Europeia (UE) com a vizinha Roménia, mas onde sete manifestantes se imolaram pelo fogo desde o início dos protestos.

No entanto, a campanha eleitoral neste país do sul dos Balcãs com 7,5 milhões de habitantes, na sua maioria ortodoxos mas com uma importante minoria turca (9%) e roma (cigana, 10% da população), voltou a ser dominada pelos mesmos partidos com responsabilidades na atual crise e anuncia-se um novo impasse político, acompanhado por profunda incredulidade.

A formação conservadora Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB), do ex-primeiro-ministro Boiko Borissov, surgia à frente nas últimas sondagens (23% a 25,6%), mas longe da maioria absoluta, apesar de já ter recusado eventuais coligações.

O Partido Socialista (PSB, ex-Partido Comunista) do antigo chefe de Governo Serguei Stanichev deverá garantir a segunda posição (18% a 22%).

A ausência de alternativas deverá ter efeitos na taxa de participação, quando 35% dos inquiridos ainda se declaravam indecisos sobre o sentido do voto.

À degradação social juntou-se o agravamento da crise política. No início de maio, a missão de observação eleitoral (MOE), mandatada pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), publicou um relatório sobre a campanha eleitoral, em que denuncia o escândalo das escutas telefónicas ilegais ordenadas pelo antigo ministro do Interior Tsvetan Tsvetanov, a compra de votos e a ascensão do nacionalismo.

No país mais pobre da UE, assolado por uma miséria crónica e corrupção endémica, a campanha esteve assim afastada das preocupações reais da população. A Bulgária confronta-se com um desemprego galopante que atinge perto de 40% da população ativa com menos de 30 anos, um salário médio de 500 euros e a "fuga de cérebros" (entre 20.000 e 25.000 jovens entre os 25 e os 39 anos, a maioria com formação superior, abandonam anualmente o país).

Borrissov, que com a sua demissão antecipou o escrutínio, está a ser acusado de impedir os diversos grupos civis, na origem das manifestações, de se organizarem num movimento político que desafiasse o cenário político tradicional.

Assim, prevê-se que no próximo parlamento também voltem a estar representados o Movimento pelos Direitos e Liberdades (MDL, o partido da minoria turca muçulmana), o Ataka (ultranacionalista) e o "Bulgária para os Cidadãos", fundado em 2011 pela ex-comissária europeia Meglena Kuneva.

As eleições serão vigiadas pela OSCE, que enviou 240 observadores. No entanto, os partidos da oposição já pediram uma contagem paralela dos votos a realizar por um instituo austríaco, para evitar eventuais fraudes.

A maioria dos partidos também se comprometeu a combater a compra de votos, muito usual no país e que geralmente seduz os grupos sociais mais frágeis, em particular a minoria roma.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG