Berlusconi faz marcha atrás e pede apoio ao governo

O antigo primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi pediu hoje, inesperadamente, aos deputados italianos que votassem a favor do governo de Enrico Letta. Isto depois de o ter tentado derrubar.

"Decidimos, não sem debate interno, votar a favor" da moção de confiança, declarou "Il Cavaliere" numa curta intervenção no Senado, quatro dias depois de ter provocado uma crise política ao instruir os ministros do seu partido no governo de coligação para se demitirem.

A declaração, completamente inesperada, foi recebida pela assembleia com silêncio e estupefação.

Berlusconi lembrou a origem da formação, há cinco meses, do governo de coligação de Enrico Letta, no qual o seu partido Povo da Liberdade (PDL) participa, e explicou que "a única solução razoável era reunir as forças de centro-esquerda e de centro-direita".

Depois de aceitar "ter apenas cinco ministros" na equipa governamental, o PDL "fez tudo o que estava ao seu alcance para mudar o clima do país", disse.

"Um clima que alguns compararam a uma guerra civil fria", acrescentou. A esperança de que "o país caminhe para uma verdadeira pacificação, da qual precisa, não se viabilizou", lamentou.

Letta comprometeu-se a reduzir a pressão fiscal e a garantir a responsabilidade dos magistrados, posição que levou Berlusconi a pedir o apoio à moção de confiança no governo, que na véspera queria derrubar.

Berlusconi receia perder, muito provavelmente até meados de outubro, o lugar de senador e a imunidade parlamentar. A 01 de agosto, esgotados todos os recursos, o ex-primeiro-ministro foi condenado a uma pena de prisão por fraude fiscal.

"Il Cavaliere" arrisca-se também a ser detido no âmbito do processo "Rubygate" por abuso de poder e prostituição de menor.

Graças ao recuo de Silvio Berlusconi, o Governo de Letta conquistou a moção de confiança na câmara alta do Parlamento italiano com 235 votos a favor e 70 contra.

Antes, numa intervenção diante do hemiciclo, Letta advertiu que uma eventual queda do executivo seria "fatal e irremediável" para Itália.

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