Barroso diz que Nobel da Paz é "estímulo" para a UE

O presidente da Comissão Europeia disse hoje que vê a atribuição do Nobel da Paz à União Europeia como um "estímulo", mas também como "um aviso", e adiantou que vai fazer uma referência a Portugal quando receber o prémio.

José Manuel Durão Barroso, que falava à imprensa portuguesa em Oslo, poucas horas antes de receber o Nobel da Paz em nome da UE, disse que o prémio é "um estímulo, um encorajamento e, com certeza, um aviso".

"Aceitamos este prémio com muita honra, com um reconhecimento daquilo que foi feito ao longo destes 60 anos, mas também como um encorajamento para o futuro", acrescentou o presidente da Comissão Europeia, adiantando que no seu discurso na cerimónia de entrega do Nobel da Paz vai fazer uma referência a Portugal.

Durão Barroso disse que, na sua intervenção, vai sublinhar que "a paz não é apenas a ausência da guerra", estando também relacionada com "um sentimento de justiça e com a democracia".

"Vou aliás, falar de Portugal, da nossa experiência da transição democrática da Revolução do 25 de Abril, vou fazer uma rápida referência a isso", disse.

O presidente da Comissão Europeia qualificou a atribuição do Nobel da Paz como "um dos momentos mais emocionantes" da sua carreira e disse ser um "sonho" receber o galardão em conjunto com os seus "colegas" da UE.

Sublinhando que a paz e a democracia "têm de ser vistas como uma conquista de cada dia", Durão Barroso qualificou a UE como um "magnífico projeto de paz".

"Posso dizer que nunca houve tal projeto em termos transnacionais na História da humanidade, tantos países unidos, reconciliados, antigos inimigos unidos, em torno não apenas do valor da paz, mas do valor da liberdade e da democracia", afirmou, referindo a importância de lutar "todos os dias" contra as "ameaças à paz".

Durão Barroso reconheceu ainda que "uma grande parte dos europeus passa por situações de extrema dificuldade", incluindo os portugueses.

"E, por isso, compreendo a frustração de muitos europeus com esta situação e também o facto de acharem, porventura, estranho que seja neste momento que a UE recebe esta distinção", declarou, reiterando que a União é "parte da solução" para a crise.

"Estamos a trabalhar com os governos precisamente para procurarmos sair da atual situação de dificuldade", disse o presidente da Comissão Europeia.

A cerimónia de entrega do Nobel da Paz à UE começou às 13:00 locais (12:00 em Lisboa).

O prémio será entregue ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, em conjunto com os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

A cerimónia de entrega do Nobel da Paz contará com a presença de alguns líderes europeus, entre os quais o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho.

O Comité Nobel norueguês atribuiu o Nobel da Paz à UE pelo seu contributo para a paz e a reconciliação, a democracia e os direitos humanos.

A escolha suscitou polémica, numa altura em que a UE enfrenta uma crise financeira que tem vindo a testar o espírito de solidariedade entre os países ricos do norte da Europa e os estados do sul endividados, submetidos a programas de austeridade.

O Prémio Nobel da Paz é constituído por um diploma, uma medalha de ouro e um cheque de 930.000 euros, verba que a UE já anunciou que vai doar a projetos de apoio a crianças vítimas da guerra e de conflitos armados.

A UE é a vigésima primeira organização internacional a receber o prémio desde 1901.

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