Barroso diz "au revoir, auf wiedersehen, adeus" e apela ao compromisso

No seu último discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, antes do final do seu mandato como presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso recordou os dez anos que passou à frente da instituição, garantiu que, apesar das crise, a UE hoje está mais forte. E desejou sorte ao seu sucessor, o luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Sem recorrer a um discurso escrito, Durão Barroso despediu-se dos eurodeputados garantindo que a última década foi marcada por tempos "excecionais e desafiadores".

O presidente da Comissão Europeia recordou as três crise que marcaram os seus dois mandatos: a crise constitucional, a crise da dívida soberana e a crise entre Rússia e Ucrânia.

Sobre a crise constitucional, recordou que "foi resolvida com o Tratado de Lisboa". E aproveitou para mandar alguns recados, lembrando que este "foi assinado por todos os Estados-membros. Até os que parecem ter esquecido que o fizeram".

Quanto à tensão entre Rússia e Ucrânia, Barroso quis "dar os parabéns a este Parlamento por ter assinado o acordo de associação" com Kiev. Admitiu que esta é uma crise que "ainda não está resolvida", mas "devemos estar orgulhosos de termos condenado as ações da Rússia" e recebido a Ucrânia "na família europeia".

A crise da dívida soberana foi a que dominou o discurso do ex-primeiro-ministro português que a classificou como "a pior crise desde a fundação" da União Europeia. Barroso recordou que há alguns anos, "todos previam que a Grécia ia sair do euro. E que isso ia ter um efeito dominó na Irlanda, Portugal. Espanha e Itália estiveram sob tensão". E resumiu: "Estávamos à beira do abismo".

O presidente da Comissão sublinhou que não só "não houve implosão do euro" como a Lituânia se vai tornar em breve no 18.º país a aderir à moeda única.

Barroso saudou uma Europa "mais integrada", com mais mecanismos para responder às crises.

"Vencemos a batalha da estabilidade", explicou, mas "o crescimento continua tímido". Um problema que exige "reformas estruturais para garantir um crescimento sustentável".

Barroso despediu-se elogiando os valores que levaram à formação da União Europeia. E definiu o momento em que, ao lado do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Romuy, recebeu o Nobel da Paz em nome da UE como um dos momento mais emotivos do seu mandato.

E despediu-se fazendo jus à fama de poliglota com um "Auf wiedersehen, au revoir, adeus!"

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG