Áustria apoia proposta de Hollande para criar eurobonds

O chanceler social-democrata austríaco "apoia totalmente" a posição do Presidente francês a favor dos eurobonds, proposta rejeitada pelo Governo alemão.

O chanceler social-democrata austríaco Werner Faymann declarou-se favorável à proposta do Presidente socialista francês François Hollande de criar eurobonds (obrigações europeias), ainda que "a longo prazo".

No plano imediato, o governante de Viena advogou o lançamento de eurobonds para projetos específicos, como investimentos em grandes obras de infra-estruturas nos transportes, energia e telecomunicações.

Para Faymann, as eurobonds, enquanto tal, só serão possíveis "dentro de dois ou três anos", e no "quadro de uma disciplina orçamental credível".

O dirigente austríaco indicou ter abordado a questão com o novo Presidente francês à margem da cimeira da NATO em Chicago. Faymann disse que a Itália, Dinamarca e Luxemburgo partilham de idêntica posição à agora subscrita pela França e Áustria.

Hollande indicou que tenciona levantar esta questão na cimeira europeia informal de hoje em Bruxelas, consagrada a questão do crescimento económico. A reunião de hoje deve preparar caminho à cimeira formal de junho, onde medidas sobre esta questão deverão ser tomadas.

A possível criação de eurobonds tem tido a oposição frontal do Governo da chanceler Angela Merkel, uma posição reafirmada hoje pelo ministro das Finanças Wolfgang Schäuble numa entrevista a uma rádio alemã.

Para Schäuble, "enquanto um país permanece responsável pela sua própria política orçamental, não é possível colocar em comum a garantia para as obrigações". Para o ministro alemão, esta possibilidade não estimularia a disciplina na zona euro. Mas admitiu a disponibilidade de o assunto ser abordado no encontro de hoje.

O facto do projeto de eurobonds ser discutido hoje em Bruxelas não significa qualquer transigência de Berlim na matéria de fundo da sua criação. Uma fonte bem colocada do Governo alemão indicou à AFP que a posição de Berlim "é firme hoje como o será em junho", na altura da cimeira formal da UE.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG