Auschwitz recebe placas de metal para tatuar prisioneiros

O museu do campo de concentração de Auschwitz obteve cinco placas de metal que foram usadas para tatuar números nos braços e peito dos prisioneiros. Até agora, o único outro caso de existência deste tipo de instrumentos está num museu de Sampetersburgo.

As placas metálicas foram doadas por um anónimo que as terá encontrado num dos acessos ao campo de concentração, onde os prisioneiros começaram a ser tatuados no Outono de 1941, anunciou hoje a diretora das coleções, Elzbieta Cajzer, de acordo com um texto publicado no site do Museu.

A área onde foram descobertas corresponde a uma zona de evacuação de milhares de presos quando as tropas soviéticas avançavam sobre o campo em janeiro de 1945.

"Recebemos uma série de placas de metálicas amovíveis com algumas agulhas milimétricas, que eram inseridas numa espécie de selo para criar um número específico" tatuado no corpo dos prisioneiros, explicou Elzbieta Cajzer.

"As placas estão incompletas, são apenas as do zero, dois três e dois selos, que poderão ser dos números seis ou nove". A partir destas placas eram compostos os números atribuídos aos prisioneiros.

Para o diretor do Museu de Auschwitz, único campo de prisioneiros onde eles eram tatuados desta forma, segundo um porta-voz da instituição citado pela AFP, "esta é uma das mais importantes descobertas dos últimos anos. Mal conseguimos acreditar que instrumentos originais para tatuar prisioneiros pudessem ser descobertos ao fim de tantos anos", disse Piotr M.A. Cywinski. "Estas placas e selos vão ser um importante contributo para a nova exposição que estamos a preparar", referiu ainda aquele responsável.

As autoridades nazis usavam este sistema para identificar os prisioneiros de guerra soviéticos. O número era tatuado no lado esquerdo do peito do prisioneiro com recurso a placas amovíveis onde eram inseridas agulhas representando um determinado número. Assim, apenas com um único jato de tinta era composto o número de identificação do prisioneiro.

O texto no site do Museu indica que, a partir da Primavera de 1942, as tatuagens dos números passaram a serem feitas no braço esquerdo, por um processo algo diferenciado, mas prosseguiu também a sua aplicação no peito. O mesmo texto revela que o único outro exemplar conhecido de instrumentos de tatuagem de presos encontra-se no Museu Médico-Militar de Sampetersburgo.

O campo de Auschwitz-Birkenau foi criado pelo regime nazi junto da cidade de Oswiecim, no Sul da Polónia, e segundo dados do Museu, aqui foram mortos, entre 1940 e 1945, cerca de um milhão de judeus europeus, mais de 70 mil polacos, mais de 20 mil ciganos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos e outros 10 mil a 15 mil prisioneiros de várias origens.

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