Atuação ocidental descrita na China como "um fiasco"

A situação na Ucrânia está a ser descrita na China como "um fiasco" dos países ocidentais, que terão "subestimado a vontade da Rússia de proteger os seus interesses vitais" naquele país.

"A Rússia pode já não estar interessada em competir com o Ocidente, mas quando se trata de limpar a trapalhada que o Ocidente criou no quintal do país, os líderes russos demonstraram mais uma vez a sua credibilidade", afirma um comentário difundido hoje pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Foi o segundo comentário pró-russo publicado nos últimos dois dias na imprensa chinesa, depois de o jornal Global Times ter saído na quarta-feira com um editorial intitulado "É do interesse da China Apoiar a Rússia".

"Com o apoio do Ocidente, a oposição ucraniana conseguiu derrubar o Governo pró-russo, expulsando o Presidente que detestava e desferindo um humilhante golpe contra o Kremlin", diz o comentário da Xinhua.

Mas segundo a agência de notícias, "a estratégia ocidental de instalar um chamado governo democrático na Ucrânia não leva a lado nenhum e, pelo contrário, criou mais confusão do que aquela que os países ocidentais podem ou sabem resolver".

O Global Times, jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista Chinês, defendeu que "a opinião pública chinesa deve estar firmemente ao lado da Rússia e apoiar a resistência russa às pressões ocidentais".

"A Rússia é o parceiro estratégico global em que a China mais pode contar", afirma o jornal.

"Diplomaticamente, a China deve manter-se fiel à sua política de neutralidade, mas favorecer ligeiramente a Rússia, o que pode ser aceite por muitos países e abrir caminho para a China desempenhar um papel mediador", acrescenta o Global Times.

A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, com direito de veto.

Os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram na quinta-feira sanções aos responsáveis russos e ucranianos pela crise na Ucrânia.

O parlamento regional da república autónoma da Crimeia, dominado por forças pró-russas aprovou um pedido ao Presidente russo, Vladimir Putin, para uma união do território à Rússia.

As autoridades locais da Crimeia, no sul da Ucrânia, não reconhecem o novo Governo de Kiev e defendem o regresso ao poder de Viktor Ianukovich, entretanto internado em estado grave num hospital de Moscovo por ter sofrido um enfarte.

A crise política na Ucrânia começou a 21 de novembro, com a contestação popular da decisão do Presidente de suspender a aproximação à Europa e reforçar os laços com a Rússia.

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