Anúncio de encerramento de vice-consulados gera contestação

Representantes das comunidades portuguesas na Alemanha lamentaram hoje o encerramento de vice-consulado português locais, anunciados esta manhã pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

O encerramento do vice-consulado português em Frankfurt deixará "uma grande amargura" na população, disse o porta-voz do conselho consultivo da comunidade, António Justo, que irá estudar novas formas de luta.

O porta-voz da comunidade, que se encontra em Portugal, aguarda a audiência pedida ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que na sua opinião "é o que tem defendido mais os interesses dos emigrantes", nomeadamente quando vetou a lei que impedia o voto por correspondência aos emigrantes.

Tendo já reunido mais de 4.000 assinaturas contra o encerramento do consulado, num abaixo-assinado a entregar a Cavaco Silva, o conselho consultivo deverá depois reunir-se para decidir qual o caminho a seguir após o anúncio de hoje.

"Quando fizemos a manifestação [de 05 de Novembro], houve manifestantes que disseram que era preciso novas formas de protesto, mais espectaculares", disse o porta-voz, acrescentando que uma das propostas foi a ocupação simbólica do vice-consulado.

Para já, "fica uma grande amargura de toda a população", disse, recordando tratar-se da região com mais votantes em toda a Alemanha e uma zona estratégica economicamente.

Na opinião de António Justo, para se manter o vice-consulado bastava "deferir um dos cônsules na Alemanha para outro país e substituir os consulados por vice-consulados".

Além disso, propôs, poderia reduzir alguns vice-consulados a escritórios consulares, "o que iria ao encontro da política de poupança do Governo", mas ainda "manter os lugares estratégicos".

"Se Portugal quiser poupar um milhão de euros pode fazê-lo. Basta, em vez de ter altos funcionários, ter pessoal médio", disse.

Representantes de emigrantes portugueses da área consular de Osnabrück (Alemanha) também consideraram "lamentável" a decisão do Governo de encerrar o vice-consulado local, sublinhando o elevado número de actos consulares que pratica, com reduzidas despesas.

"Trata-se de uma decisão lamentável porque os portugueses vão ter de se deslocar muito longe para tratar dos seus assuntos consulares em Dusseldorf, e a sua participação cívica em eleições por exemplo, também sairá prejudicada", disse à Lusa o padre Vítor Medeiros, de Münster, membro do conselho consultivo junto do vice-consulado.

Opinião idêntica defendeu o conselheiro das comunidades portuguesas na Alemanha, Alfredo Cardoso, eleito pela área de Osnabrück. "Querem retirar-nos uma fatia de Portugal, o que nos vai afastar ainda mais uns dos outros, e aumentar a abstenção em futuras eleições, o que é lamentável", disse à Lusa.

"Não é nas grandes cidades, como Dusseldorf ou Hamburgo, que está a maioria dos portugueses, o vice-consulado de Osnabrück tem uma actividade muito superior no atendimento ao público do que outros postos consulares neste país", acrescentou Vítor Medeiros.

A área consular de Osnabrück abrange a Baixa-Saxónia, que tem a segunda maior superfície entre os 16 Estados federados alemães, e ainda a cidade-Estado de Bremen/Bremerhaven, zonas em que vivem mais de 20 mil portugueses.

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