Ancara confirma 166 mineiros mortos em acidente

O ministro da Energia turco afirmou esta noite estar confirmada a morte de 166 pessoas em consequência de uma explosão numa mina de carvão no Oeste do país. Dos quase 800 mineiros que se encontram no local no momento do acidente, 400 continuavam ainda bloqueados no subsolo e mais de 200 tinham sido retirados. Esta é uma das mais graves catástrofes industriais na história da Turquia.

"O tempo não joga a nosso favor", declarou o ministro Taner Yildiz ao anunciar a existência confirmada de 166 mineiros mortos entre os mais de 780 que estariam no subsolo no momento da explosão. Destes, o ministro da Energia turco explicou que 212 tinham sido retirados com vida.O número de mineiros ainda retidos no subsolo estaria próximo dos 400, indicou Yildiz.

Anteriores balanços referiam desde um número bastante limitado de vítimas mortais até números já próximos daqueles divulgados pelo governante turco.

A origem da explosão foi um curto-circuito e esta sucedeu a mais de 1,5 quilómetros de profundidade, bloqueando um poço de acesso. A explosão cortou a energia elétrica, impedindo o uso dos elevadores, o que torna mais difícil as operações de resgate dos mineiros.

As agências notam que este tipo de acidentes são frequentes no país, onde as medidas de segurança, em especial no sector privado, não são observadas na íntegra.

Em 1992, naquele que é até agora o acidente mais grave do género, uma explosão de gás causou 263 mortos na mina de Zonguldak.

Situada na região ocidental da Turquia, junto da cidade de Manisa, esta mina de carvão é propriedade de uma empresa privada e um dos principais polos industriais da região, nela trabalhando quase mil pessoas.

O diretor das instalações disse estar em curso um inquérito e garantiu que os "mais elevados padrões de segurança" são observados pela empresa.

O Ministério do Trabalho e da Segurança Social turco divulgou um comunicado em que se revela ter ocorrido a mais recente inspeção a 17 de março e de estarem em aplicação as medidas de segurança de acordo com a legislação. Mas, no passado, os sindicatos acusam o Governo de não atualizar e reforçar leis que ficam atrás do padrão seguido nos países mais desenvolvidos. No mesmo sentido se pronunciaram alguns especialistas do sector ouvidos pela BBC.

O principal perigo para os sobreviventes ainda soterrados é a falta de oxigénio, sublinhavam especialistas neste sector industrial, estando aquele a ser bombeado para o interior da mina através dos poços não afetados pela explosão, mas sem a certeza de que chegará a todos os pontos onde estar mineiros encurralados. Se "os ventiladores não estiverem a funcionar, os mineiros podem morrer no espaço de uma hora", disse à AFP um especialista da indústria mineira, Vedat Didari

As televisões mostraram imagens de sobreviventes cobertos de poeira e carvão, muitos com ferimentos, a maioria a respirar com dificuldade ou transportados em macas para as dezenas de ambulâncias no local.

Familiares dos mineiros estavam também presentes no local, de expressões angustiados ou de gestos de profundo desespero ao ser-lhes comunicado não existirem notícias dos seus próximos.

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