Analista explica queda forte da Bolsa com tensão na Ucrânia

A queda acentuada registada na abertura de hoje da Bolsa de Lisboa foi provocada pela crise política entre a Ucrânia e a Rússia, disse à Lusa o analista de mercados da corretora DIF Broke Pedro Lino.

"A queda da bolsa de Lisboa tem a ver com a crescente tensão geopolítica entre a Ucrânia e a Rússia. As bolsas europeias estão todas a registar baixas substanciais de cerca de 1,8 a 2%, quedas que não se verificavam há alguns meses", explicou Pedro Lino, acrescentando que a situação "tem a ver sobretudo com o medo dos investidores de como a Rússia vai reagir a esta 'independência' da Ucrânia".

O principal índice da bolsa portuguesa, o PSI20, abriu hoje em queda acentuada de 2,05%, para os 7.228,20 pontos.

De acordo com o analista, a bolsa portuguesa irá permanecer "volátil" durante esta semana, adiantando que as bolsas mundiais vão estar "ao sabor das notícias".

"Se por acaso tivermos notícias de que a tensão não vai escalar muito mais ou vai acalmar, ou que a Rússia se senta à mesa das negociações e deixa de enviar tropas para a Crimeia, é capaz de haver uma recuperação das bolsas. Caso isso não aconteça, a pressão irá continuar, porque os investidores não vão querer arriscar num ambiente de incerteza", frisou.

A tensão entre a Ucrânia e a Rússia agravou-se na última semana, após a queda do ex-presidente Ianukovich, por causa da Crimeia, península do sul do país onde se fala russo e está localizada a frota da Rússia do Mar Negro.

A câmara alta do parlamento russo aprovou no sábado, por unanimidade, um pedido do presidente Vladimir Putin para autorizar "o recurso às forças armadas russas no território da Ucrânia".

Esta decisão surgiu um dia depois da denúncia da Ucrânia de que a Rússia fez uma "invasão armada" na Crimeia.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros da União Europeia reúnem-se hoje de urgência para analisar a situação.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG