Ana Botella exige serviços mínimos a empresas de limpeza

A presidente da Câmara de Madrid, Ana Botella, enviou hoje cartas às empresas contratadas para a limpeza urbana e cujos trabalhadores cumpriram oito dias de greve, para exigir formalmente que cumpram os serviços mínimos.

Trata-se de uma exigência remetida pelos serviços de Zonas Verdes, Limpeza e Residuos da autarquia da capital espanhola e que recorda às quatro empresas que estão obrigadas ao "cumprimento efetivo" do decreto de serviços mínimos ditado para a greve.

Assim, relembram, têm que manter pelo menos 40% do pessoal habitual para a limpeza da cidade e para o Serviço Especial de Limpeza Urgente (SELUR) e de 25% para o resto dos serviços (como manutenção de jardins).

Entretanto, as autoridades confirmaram hoje que nos primeiros oito dias de greve por tempo indefinido a Polícia deteve 16 pessoas, identificado 211 outras e apresentou denúncias contra 27 por danos em mobiliário urbano e outros delitos.

Desde o inicio da greve foram queimados ou destruídos 110 contentores e provocado danos em oito veículos de particulares e a seis pertencentes às empresas de limpeza da capital.

Sem fim à vista para a greve o lixo continua a acumular-se em vários pontos da cidade e as autoridades afirmam que as brigadas dos serviços mínimos nem sempre conseguem trabalhar - atuam com escolta policial -, o que torna a situação ainda mais complicada.

As empresas - três das quatro com contratos para a limpeza e manutenção em Madrid (OHL-Ascan, FCC Servicios Ciudadanos e Sacyr-Valoriza) - renovaram a sua proposta, baixando de 1.134 para 625 o número de despedimentos, algo que os sindicatos continuam a rejeitar.

A proposta inclui ainda a eliminação dos acordos de centros de trabalho, reformas, excedência e baixas incentivadas, e foi considerada pelos sindicatos "uma provocação".

A greve está a suscitar cada vez mais interesse na imprensa internacional, com correspondentes em Espanha de jornais alemães e ingleses, por exemplo, a atacar fortemente a gestão de Ana Botella.

Os jornais destacam, por exemplo, o facto de a autarquia ter decidido privatizar serviços como os de limpeza e depois cortar nos fundos que destinava para essa função, para poupar algum dinheiro, acabando por deixar a imagem da cidade seriamente danificada.

O jornal conservador alemão Frankfurter Allgemeine titulava esta semana "Madrid, capital do lixo", referindo-se à decadência crescente da capital, estimando que as perdas causadas pela paralisação na limpeza ultrapassam meio milhão de euros.

"A capital de Espanha não tem dinheiro para mais, nem para a limpeza do lixo", refere, recordando que a greve marca um período muito negativo para a cidade, coincidindo com a governação de Ana Botella, mulher do ex-presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar.

Além de ter perdido a candidatura aos Jogos olímpicos, de continuar sem certezas sobre o polémico projeto de casino Eurovegas, e da queda de afluência a alguns dos museus, Madrid tem visto uma redução de turistas, apesar do aumento das chegadas a Espanha, com o aeroporto de Madrid a ter menos chegadas do que o de Barcelona.

"Os habitantes não sofrem apenas com a greve mas também o facto de ter a pessoa errada na autarquia", diz o jornal alemão, referindo-se a Botella, que não foi eleita para o cargo, sendo promovida de vice-presidente da câmara quando o anterior alcaide, Alberto Ruiz-Gallardón, foi nomeado ministro da Justiça.

De forma mais jocosa tem sido a cobertura do correspondente do The Guardian sobre a greve em Madrid: desde que começou tem andado a seguir, com fotos, a progressão de um osso de um presunto à frente da sua porta de casa.

"Dia 7 da greve dos empregados de limpeza de ruas de Madrid. O osso de uma perna de porco e um soutien estão agora juntos a gozar o sol de outono. Parecem felizes", escreve Paul Hamilos, no twitter.

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