Acordo de coligação vai permitir à Alemanha continuar a crescer

Os compromissos acordados entre conservadores e sociais-democratas alemães para uma coligação de Governo deverão permitir à maior economia europeia continuar a crescer, sem contudo ter um efeito positivo importante nos parceiros europeus, segundo analistas.

Ainda assim, consideraram vários especialistas ouvidos pela agência France Presse, os planos para retroceder em algumas reformas laborais -- vistas como tendo sido decisivas para proteger a Alemanha da crise europeia -- podem virar-se contra o Governo no futuro.

Ao fim de cinco semanas de negociações, a União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Social-Democrata (SPD) anunciaram hoje de madrugada a conclusão de um acordo de Governo, dois meses depois das eleições, vencidas pelos conservadores mas sem maioria.

Nas negociações, o SPD conseguiu impor algumas das suas condições, como a criação em 2015 de um salário mínimo nacional, e Merkel manter orientações como o não aumento de impostos e a interdição de contrair dívida federal a partir de 2015.

Christian Schulz, economista do Berenberg Bank, disse à France Presse que o acordo CDU-SPD "contém boas notícias em políticas decisivas" e vai ter como consequência a continuidade do êxito das políticas económicas alemãs.

"Em termos de políticas orçamentais, a coligação não vai aumentar impostos e o que foi acordado quanto a novos gastos e investimentos não vai impedir a Alemanha de cumprir as regras nacionais e europeias de estabilidade orçamental nos próximos anos", disse Schulz.

As "más notícias", considerou, é que o Governo vai retroceder em reformas laborais importantes: "A introdução de um salário mínimo e novas restrições aos contratos de trabalho temporários podem ameaçar o milagre do emprego alemão".

Joerg Kramer, do Commerzbank, disse-se certo de que "a economia alemã vai crescer mais depressa que o resto da zona euro nos próximos anos", embora o acordo alcançado "degrade o ambiente económico a longo prazo".

Para Carsten Brzeski, do banco ING, "dir-se-ia que o Governo quer sobretudo redistribuir os frutos das reformas do passado, em vez de utilizar o período de prosperidade para novas reformas".

O SPD insistiu, e conseguiu, fixar o salário mínimo em 8,5 euros/hora. Segundo o instituto económico DIW, 5,6 milhões de alemães (17% da população ativa), ganham menos do aquele valor, especialmente trabalhadores pouco qualificados ou a tempo parcial.

Merkel defendia acordos diferenciados para cada setor e região, com o argumento de que um salário mínimo nacional afetaria as pequenas e médias empresas e podia obrigá-las a despedir, mas admitiu que esta medida era condição indispensável para um acordo de coligação.

Por outro lado, em relação aos investimentos propostos em educação, investigação e infraestruturas de transportes, não chegam a um nível suficientemente elevado para beneficiar as economias europeias.

O acordo "não faz o suficiente pelo investimento", criticou Peter Bofinger, professor da Universidade de Wurtzburg (sul). "Uma gota no oceano", considerou Gustav Horn, do instituto de investigação OMK, próximo dos sindicatos.

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