Senado aprova aumento do limite da dívida pública

O Senado dos Estados Unidos aprovou por 81 votos a favor e 18 contra uma proposta de lei que permite aumentar o limite da dívida pública americana até 7 de fevereiro de 2014. Obama pronunciou de imediato uma intervenção, a partir da Casa Branca, em que agradeceu os esforços da liderança dos dois partidos na câmara alta do Congresso em conseguirem o acordo que pôs fim à paralisação da administração federal.

A proposta, aprovada poucas horas antes do antecipado incumprimento das obrigações financeiras da Administração federal, será votada mais logo pela Câmara dos Representantes, pondo fim a 16 dias de paralisação da maior parte dos serviços públicos nos Estados Unidos.

Os democratas e uma parte dos republicanos na Câmara dos Representantes, onde constituem a maioria, votará favoravelmente a proposta, tornando possível a sua promulgação pelo Presidente Barack Obama.

Este, de imediato, agradeceu o esforço dos dirigentes da maioria democrata no Senado e da minoria republicana, respetivamente, Harry Reid e Mitch McConnell, por terem conseguido o acordo. "Há ainda muito trabalho a fazer, incluindo recuperar a confiança do povo americano, que se perdeu nestas últimas semanas", disse Obama a partir da Casa Branca, numa mensagem gravada antes ainda da realização da votação.

Obama garantiu que assinará a proposta de lei, logo que esta chegue à Sala Oval, e criticou a estratégia republicana, designadamente da ala do Tea Party, de querer "governar pela crise. A minha esperança e expectativa é que todos tenham aprendido que não há razão para não se trabalhar em conjunto" nestas matérias.

A uma pergunta por um dos jornalistas presentes se esta situação não poderia voltar a repetir-se nos próximos meses, Obama assegurou que "não".

Noutro ponto da sua intervenção, o Presidente salientou que "não são só os democratas a terem boas ideias" e que, portanto, a cooperação é possível com os republicanos.

Além do aumento do limite da dívida pública americana até 7 de fevereiro de 2014, a proposta contempla, assim, a garantia de financiamento de todas as agências federais até 15 de janeiro do próximo ano, e institui uma comissão bipartidária (democratas e republicanos) para negociar o orçamento federal para 2014. Os trabalhos desta comissão devem estar terminados até 13 de dezembro do corrente ano.

Horas antes, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, estendia a toalha: "A nossa estratégia não passa pelo boicote ao acordo bipartido." Mais tarde, reconheceu "não ter ganho a batalha" para "deter a catástrofe que representa a reforma da saúde", mas manteve que esta vai prosseguir. Por seu lado, o senador Ted Cruz, de algum modo na origem da crise com o seu discurso de 21 horas a 24 de setembro último, declarava ontem que nem sequer abriria a boca. "Não há nada a ganhar em atrasar a votação", disse o texano ligado ao Tea Party.

De facto, na origem da crise que levou à paralisação da máquina federal esteve a tentativa por parte de alguns republicanos considerados mais à direita de tentarem forçar Obama a recuar no seu programa de reforma do sistema de saúde em troca de aceitarem aumentar o limite do endividamento público. Estratégia que, como se tornou manifesto, acabou por fracassar e, eventualmente, penalizar o próprio partido, tal como sucedeu em anteriores ocasiões quando, quer democratas quer republicanos tentaram forçar um presidente a mudar políticas em troca de concessões noutras matérias.

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