Publicadas novas fotos de militares dos EUA com cadáveres

O Los Angeles Times publicou hoje fotografias que mostram militares norte-americanos a posar junto dos restos mortais de um bombista suicida e outros cadáveres no Afeganistão, comportamento que foi já condenado pelo secretário da Defesa dos Estados Unidos.

"Depois de uma consideração cuidadosa, decidimos que a publicação de uma pequena mas representativa seleção de fotografias cumpre a nossa obrigação de informar imparcialmente sobre todos os aspetos da missão no Afeganistão", explicou o diretor do diário norte-americano, Davan Maharaj.

Para o jornal, as fotografias demonstram a rutura existente na cadeia de comando, a qual põe em perigo a segurança das tropas norte-americanas.

As imagens foram entregues ao jornal por um soldado da mesma unidade que os fotografados, a 82.ª divisão aerotransportada. Segundo o jornal, o soldado entregou 18 fotografias, pediu que a identidade fosse protegida e indicou que as imagens foram captadas em 2010, na província de Zabul (sudeste do país).

O secretário da Defesa norte-americana, Leon Panetta, reagiu à publicação e condenou "com firmeza" o comportamento dos militares fotografados: "Estas imagens não representam de todo os valores e o profissionalismo da vasta maioria das tropas norte-americanas que servem atualmente no Afeganistão".

O chefe do Pentágono disse-se também desiludido com a decisão do LA Times de publicar as fotos.

Algumas das fotos mostram soldados que foram destacados para a recolha de impressões digitais de um bombista suicida e se fizeram fotografar a pegar nas pernas do corpo desmembrado. Noutras, militares da mesma unidade posaram para fotografias junto a cadáveres de combatentes talibãs, pegando na mão de um cadáver para lhe levantar um dedo ou fechando a mão de um outro, segundo o jornal.

A divulgação destas fotos ocorre num momento delicado para as forças norte-americanas no Afeganistão, depois da queima de exemplares do Alcorão na base militar de Bagram, a norte de Cabul, ter dado origem a uma vaga de protestos e ataques contra militares norte-americanos e de outros países da coligação por todo o país e do massacre de 17 aldeões afegãos pelo soldado norte-americano Robert Bales.

Leon Panetta indicou estar em curso "uma investigação que pode levar a procedimentos disciplinares", acrescentando que os soldados envolvidos "nesta conduta desumana" devem responder perante a justiça.

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