Presidentes de câmara pagam para não serem mortos

Presidentes de câmara de Michoacán, estado do oeste mexicano que sofre com a violência ligada ao tráfico de drogas, reconheceram que foram forçados a pagar ao crime organizado para garantirem a sua integridade física, alguns dias após um deles ser morto.

Wilfrido Flores Villa, presidente de câmara em exercício da cidade de Nahuatzen, a 380 quilómetros da Cidade do México, foi morto a tiros na segunda-feira de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço com a sua mulher num restaurante em Patzcuaro, uma cidade próxima à sua.

Segundo dados da Federação Nacional de Municípios do México, foram mortos 31 presidentes de câmara em todo o país desde 2006. Os estados de Michoacán e Durango (norte) são os mais afetados.

Os membros do crime organizado, principalmente do cartel 'Cavaleiros Templários' (Los Caballeros Templários), surgido em Michoacán, desenvolveram essa fonte lucrativa de rendimento, a forçar ricos e pobres a pagar para não serem sequestrados ou assassinados.

"A insegurança é algo que nos afeta, todos sabem mas ninguém diz, porque precisamos combater o crime organizado, (mas) nós temos que lhe pagar um imposto", disse à AFP um dos cinco presidentes de câmara entrevistados, os quais pediram anonimato.

"Eles deixam-nos sem alternativa. Como diz o ditado: ou coopera ou cortamos-lhe o pescoço", acrescentou outro. Este último garante que pagar um 'dízimo' aos criminosos "não é algo que queremos fazer, é algo que nos obrigam a fazer. Não há lugar para onde ir, isso não é uma opção que eles nos dão".

Mas para Vinicio Aguilera Garibay, promotor sub-regional em Morelia, capital do estado, disse por sua vez que pagar para os grupos criminosos é também um delito.

"Aquele que pertence a uma instituição legal não pode de forma alguma participar (das atividades) do crime organizado. Não podem fazer uma contribuição, é ilegal", disse ele à AFP.

Garibay diz que prefeitos ameaçados têm a obrigação de reclamar às autoridades, sobretudo porque os pagamentos são provenientes de fundos públicos.

Mas as vítimas de chantagem temem as represálias, o arsenal dos criminosos é bem mais equipado que os das polícias municipais - quando elas simplesmente não estão em conluio com os bandidos.

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