Presidente do México inicia mandato com pesada herança

Henrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), toma hoje posse como Presidente do México, no primeiro dia de um mandato em que enfrentará uma pesada herança do seu antecessor.

A investidura de Peña Nieto para um mandato único de seis anos significa o regresso ao poder do partido centrista que dominou a vida política do país durante mais de sete décadas e até 2000, quando foi declarada a vitória nas urnas do Partido de Ação Nacional (PAN, direita) dos ex-presidentes Vicente Fox (2000-2006) e do cessante Felipe Calderón (2006-2012).

Portugal estará representado no ato de posse pelo ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.

O "menino bonito" do PRI, 46 anos, ex-governador do estado do México, e vencedor das polémicas presidenciais de 1 de julho, não tem sido poupado pelos adversários políticos, que destacam a sua impreparação, num México que mudou desde 2006.

Há seis anos, quando tomou posse e na sequência de um escrutínio, de novo muito contestado pela oposição de esquerda devido a supostas fraudes eleitorais, Calderón decidiu de forma inesperada mobilizar o exército na luta contra os poderosos cartéis do narcotráfico.

O balanço em seis anos é particularmente sangrento: entre 80.000 a 100.000 mortos, milhares de desaparecidos, centenas de milhares de civis deslocados e a multiplicação das organizações com ligações ao lucrativo comércio ilegal de drogas, ou à imigração ilegal, que tem como principal cliente os Estados Unidos, o poderoso vizinho do norte.

Na terça-feira, a Amnistia internacional (AI) pediu ao novo Governo para atuar com decisão contra "a violência e a tortura" que desde 2006 se agravou no país.

"A 'guerra contra as drogas' lançada pelo Presidente cessante Felipe Calderón provocou um aumento dramático da violência", assinalou Maja Liebing, responsável da AI para a América Latina.

Em paralelo, as relações com Washington vão continuar a determinar a vida política mexicana, reforçadas em 1994 com a entrada em vigor do Acordo de Comércio Livre da América do Norte (ACLA, Nafta na sigla em inglês).

Após a recente aprovação de uma nova lei laboral pelo PRI e pelo PAN, a nova equipa "priista" parece em condições para tentar concretizar um "grande acordo nacional" e que se pretende abrangente.

"O objetivo é tornar viáveis as reformas para fomentar o progresso do país e condições de maior igualdade e justiça social para os mexicanos", refere o projeto apresentado às principais forças políticas.

É um segundo desafio para Peña Nieto, num país com cerca de 110 milhões de habitantes e mais de 40 milhões de pobres, e por isso, também referenciado com um dos mais desiguais na distribuição da riqueza.

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