Populares saqueiam loja que Governo mandou ocupar

Várias pessoas saquearam hoje uma sucursal da cadeia de eletrodomésticos Daka, na Venezuela, um dia depois de uma inspeção detetar "aumentos injustificados" na rede comercial e de o Governo ordenar a sua ocupação militar e "preços justos" nas vendas.

Os elementos do grupo, segundo a imprensa local, esperaram várias horas pela abertura da loja em Naguanágua, no Estado de Carabobo (200 quilómetros a oeste de Caracas), entraram de forma violenta e "carregaram" com tudo o que podiam, deixando apenas vidros partidos e destroços de móveis.

A Polícia de Carabobo e a Guarda Nacional (polícia militar) estiveram no local da pilhagem e detiveram várias pessoas.

Entretanto, em Caracas, à procura de produtos a "preços justos", centenas de pessoas acorreram à sucursal local da Daka e a outras lojas de eletrodomésticos, cujas instalações se encontram custodiadas por funcionários da Guarda do Povo (polícia militar).

Na sexta-feira, depois de uma fiscalização, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou que a rede de eletrodomésticos Daka fosse ocupada e que todos os seus produtos fossem vendidos a "preços justos".

"Eu ordenei imediatamente a ocupação dessa rede e que se colocasse todos os produtos à venda ao povo a um preço justo. Todos os produtos, que não fique nada nas prateleiras", disse o governante durante uma comunicação com transmissão obrigatória nas rádios e televisões do país.

Maduro recordou que já tinha advertido os empresários e insistiu que a lei, o Estado e o povo vão chegar a quem "estiver roubando" a população.

"Empresários, ajustem-se à lei. Vamos impregnar de justiça todo o território nacional, nos próximos 15 dias, porque tem que acabar a guerra económica", disse, sublinhando que o executivo protegerá o povo de qualquer sabotagem da oposição de direita.

Na última quarta-feira, Maduro anunciou que o seu Governo iniciaria uma grande operação cívico-militar para combater a especulação e o monopólio de bens no país.

"Uma grande operação cívico-militar que percorrerá toda a pátria, iremos até ao último nível da cadeia produtiva, distributiva e comercial do país", declarou.

Na sexta-feira, o chefe do Órgão Superior para a Economia, Hebert Garcia Plaza, denunciou que, durante uma inspeção a Daka, foram detetados "aumentos injustificados" de 10 a 50% em vários produtos, entre eles frigoríficos, televisores e máquinas de secar.

O responsável referiu-se a "uma máquina de lavar e secar que a 01 de novembro foi vendida em 35.900 bolívares [4.316 euros]" e disse que agora, "tendo em consideração que o povo agora está recebendo os 'aguinaldos' [subsídios de Natal]", a Daka quer vendê-la a 59.900 bolívares (7.202 euros).

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