Obama preside a cimeira tripartida contra terrorismo

Durante dois dias, os líderes americano, afegão e paquistanês vão analisar a melhor forma de estreitar relações  e de lutar contra a ameaça dos talibãs.

Construir a confiança entre o Afeganistão e o Paquistão e levá-los a colaborar na luta contra o inimigo comum - os talibãs -, são dois pontos da histórica cimeira tripartida que ontem começou em Washington. A reunião decorre num momento particularmente sensível para os responsáveis de Cabul e de Islamabad dada a situação de violência que se verifica nos dois países asiáticos, em luta contra os extremistas islâmicos.

"Extraordinariamente positiva" foi como o Presidente dos EUA, Barack Obama, classificou a reunião que manteve, ontem na Casa Branca, com os seus homólogos afegão, Hamid Karzai, e paquistanês, Asif Ali Zardari. Obama garantiu a continuação do apoio de Washington aos dois países e sublinhou a disponibilidade manifestada por estes de lutar contra o terrorismo.

Antes da reunião de Obama com Karzai e Zardari, a chefe da diplomacia dos EUA recebeu os dois responsáveis no Departamento de Estado. Hillary Clinton aproveitou o momento para lamentar a morte de civis, ocorrida na madrugada de terça-feira, no Afeganistão em consequência de ataques americanos, mas sublinhou que a luta contra os extremistas, que minam a democracia, é uma causa comum aos três países.

Karzai, que já apelara aos EUA para terem mais cuidado com as suas operações em território afegão, manifestou a Clinton a esperança de que a cooperação bilateral reduza, ou elimine, tais incidentes. É que o Presidente afegão sabe que a morte de civis no seu país, por ataques americanos, mina a autoridade do Executivo e é uma arma nas mãos dos talibãs, cada vez mais próximos da capital - Cabul.

"Paquistão e Afeganistão são dois irmãos siameses", disse ainda Karzai, manifestando a esperança de que a reunião de Washington ajude a melhorar as relações entre os dois países; uma declaração que Clinton aplaudiu.

Zardari, o viúvo de Benazir Bhutto e que se fez acompanhar pelo filho Bilawal, retorquiu com uma declaração à altura. "Garanto que partilharei convosco esse fardo [luta contra o terror], não importa o tempo que dure. A minha democracia mostrar-se-á à altura; o povo paquistanês manter-se-á ao lado do povo afegão e americano".

O líder paquistanês sabe que, para além das declarações, tem de tomar medidas concretas no terreno. Tanto mais que senadores e congressistas americanos já se manifestaram insatisfeitos com a ajuda financeira que Washington canaliza para Islamabad para combater os talibãs. O facto de o Governo de Zardari ter, por exemplo, cedido à exigência dos extremistas e imposto a charia (lei islâmica) no Swat caiu mal nos EUA.

No final da reunião, Clinton anunciou que os dois países aprovaram um protocolo no qual se comprometem a concluir um acordo comercial até ao fim do ano. Consciente de como são, normalmente, difíceis as relações entre os dois países, Clinton classificou este protocolo com o "acontecimento histórico".

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