Obama fala com líderes democratas e republicanos

O Presidente dos Estados Unidos vai convocar os líderes partidários do Congresso para a Casa Branca na sexta-feira, o dia em que, se não houver acordo entre os partidos, entram em vigor cortes orçamentais automáticos.

As conversações vão juntar os republicanos John Boehner, presidente da Camara dos Representantes, e Mitch McConnell, líder da minoria no Senado, e os democratas Harry Reid, líder da maioria no Senado, e Nancy Pelosi, chefe da minoria na Câmara dos Representantes.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que Obama convidou os líderes para uma "discussão construtiva" sobre os impactos dos cortes automáticos de 85 mil milhões de dólares (65 mil milhões de euros), uma medida indiscriminada que tem sido designada como "sequestro".

Mas alguns republicanos têm-se queixado, em privado, de o encontro ter sido convocado para sexta-feira, o que significa, dizem, que a Casa Branca não está séria quanto à sua vontade de impedir o "sequestro".

"O encontro na sexta-feira é uma oportunidade para nós de discutir com o Presidente a forma de mantermos o nosso compromisso para reduzir a despesa de Washington", disse McConnell.

"Podemos garantir essas reduções de forma inteligente ou podemos fazer como o Presidente quer, com cortes transversais", afirmou, reiterando a recusa dos republicanos em aumentar a receita fiscal reduzindo os benefícios fiscais.

Os cortes automáticos na despesa estão previstos para começarem em 1 de março, uma vez que as disputas entre Obama e os republicanos sobre formas alternativas de reduzir o défice impediram a sua anulação.

Os dolorosos e automáticos cortes na despesa pública tinham sido concebidos como uma forma de resolução de um conflito anterior, obrigando as duas partes a um entendimento para reduzir o défice, mas a intensidade do desacordo em Washington impediu que fosse alcançado.

Os republicanos responsabilizam Obama pelo "sequestro", dizendo que foi ideia dele, enquanto a Casa Branca acusa os republicanos de o terem votado no Congresso antes de o Presidente o ter passado a lei.

A Presidência tem alertado para "uma tempestade perfeita" em resultado dos cortes, com despedimentos generalizados, atrasos nos transportes aéreos e redução da segurança nas fronteiras. Acrescenta ainda que a prontidão dos militares vai ser afetada e os serviços públicos e de emergência reduzidos.

O secretário da Educação, Arne Duncan, disse à imprensa que podem ser despedidos professores e reduzidos subsídios públicos para as crianças mais pobres e as que têm necessidades especiais.

"As crianças vão ser afetadas. Esta é a realidade", disse Duncan, o último membro do gabinete a exemplificar as consequências do "sequestro" na ofensiva de relações públicas da Presidência.

Na quarta-feira havia poucos sinais de qualquer esforço efetivo para impedir o "sequestro".

Democratas e republicanos estão a trabalhar no Congresso em várias propostas para resolver a crise.

Obama está obrigado por lei a emitir uma ordem para o "sequestro" até ao final do dia 1 de março e a detalhar ao Congresso os cortes exatos a fazer.

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