New York Times apela à absolvição de Baltasar Gárzon

O jornal norte-americano saiu hoje em defesa do juíz, acusado de investigar os crimes do franquismo, afirmando que o julgamento de Gárzon "atenta contra a justiça e contra a História".

O jornal norte-americano "The New York Times" publicou hoje um editorial intitulado "Truth on Trial in Spain", em apoio ao juíz Baltasar Garzón, para quem pede a absolvição.

O jornal afirma que "persegui-lo (Gárzon) atenta contra a justiça e contra a História", e apela ao Tribunal Supremo de Madrid para que absolva o juíz, adiantando que o mesmo "nunca deveria ter aceite este caso".

No seu editorial, o jornal afirma que "crimes terríveis foram cometidos em Espanha, antes e depois da Guerra Civil (1936-39), que ainda nenhum tribunal investigou ou julgou. Ninguém sabe quantas pessoas estão desaparecidas, foram torturadas ou mortas. Agora, um dos maiores investigadores espanhóis, o juíz Baltasar Gárzon, está em tribunal por se ter atrevido a abrir um inquérito a essas atrocidades", escreve o "The New York Times" no seu editorial, adiantando que "a Espanha é agora uma democracia moderna, mas o julgamento de Baltasar Gárzon, aberto a semana passada, é um perturbante eco da era totalitária de Franco. Gárzon enfrenta uma pena que o pode impedir de exercer durante 20 anos, por ter desafiado uma amnistia de 1977, embora assegure, com toda a verdade, que segundo a lei internacional, não pode haver amnistias para crimes contra a humanidade ou desaparecimentos de pessoas por explicar - com milhares de valas comuns por abrir - que constituem um crime continuado".

O "The New York Times" afirma ainda que a acusação não tem base de sustentação porque "apesar do direito internacional, não pode haver amnistias para os crimes contra a humanidade", adiantando que os "poderosos inimigos de Gárzon estão agora a ver uma excelente oportunidade para pôr fim à sua carreira".

Baltasar Gárzon está a ser julgado por ter aberto uma investigação contra os crimes do franquismo, considerada ilegal por não ter competências para isso, enfrentando agora uma pena que o poderá impedir de exercer a profissão durante 20 anos.

Esta semana continuam as sessões do tribunal, com três audiências destinadas a ouvir os familiares de desaparecidos durante o regime de Franco e representantes de associações da Memória Histórica, responsáveis pela queixa feita contra Baltasar Gárzon.

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