"Mayor" Bloomberg sob fogo por expulsar "indignados"

O presidente da câmara ('mayor') de Nova Iorque foi hoje o alvo de autarcas democratas, sindicalistas e congressistas, pelo desmantelamento do acampamento "Ocupar Wall Street" e pelas detenções de protestantes na madrugada de terça-feira.

Enquanto se aguarda uma decisão judicial sobre o direito de os protestantes poderem regressar à 'base' do movimento, o Parque Zucotti, situado junto ao centro financeiro da cidade, vários responsáveis do Conselho Municipal, o presidente do bairro de Manhattan, congressistas e senadores estaduais desceram até a um acampamento provisório, num parque junto aos tribunais da cidade, para declarar o seu apoio ao movimento.

"Isto não acontece nem em ditaduras por esse mundo fora, e quando acontece criticamos", disse o presidente do bairro de Manhattan, Scott Stringer, do Partido Democrata.

Stringer criticou em particular a detenção de jornalistas, em números que "nunca antes viu" e disse pretender questionar o comissário da polícia da cidade, Raymond Kelly, sobre "qual era a estratégia" e se houve intenção deliberada de não haver registo da operação.

"Hoje não é o fim, é o começo. É o começo de uma discussão sobre a economia nacional e a economia local. Este movimento sobre justiça é muito real", defendeu.

Perto das 16.00, quando ainda se aguardava o anúncio da decisão do tribunal, concentra-se uma grande multidão no perímetro em volta de Zucotti Park, defendido por barreiras policiais e centenas de agentes.

Entre cânticos, como "nós somos os 99 por cento", o ambiente é de tensão e dezenas de manifestantes foram detidos por saltar as barreiras.

No Parque Foley, em frente ao Supremo Tribunal do Estado de Nova Iorque, compareceram os co-presidentes do grupo de legisladores afro-americanos e latinos do Conselho Municipal, Jumaane Williams e Fernando Cabrera, e outros legisladores como Letitia James e James Sanders.

Entretanto, mantinha-se sob detenção policial, desde a madrugada passada, o conselheiro municipal Ydanis Rodriguez.

Foram vários os apelos a uma forte participação na manifestação prevista para o próximo dia 17, quando se completam dois meses do movimento "Ocupar Wall Street".

No centro do parque, rodeado de polícia e de carros de exteriores das muitas televisões que acorreram ao local, dezenas de "ocupas" passavam o tempo a ler, fumar ou a dormir, sentados ou deitados no chão.

Outros circulavam pela pequena praça agitando cartazes dizendo "nós somos os 99 por cento" ou "Nota para os 1 por cento [dos mais ricos]: Isto Não Acabou de Maneira Alguma".

Um cartaz improvisado na tampa de uma caixa de cartão tinha os nomes dos ditadores do Egito e da Líbia "Mubarak e Kadhaffi", ambos riscados, e por baixo e sem risco "Bloomberg", como se fosse o próximo ditador a cair.

Bill Dobbs, do movimento "Ocupar Wall Street", afirmava estar "entusiasmado" por ver "todos os aliados" ali concentrados para "condenar a expulsão de pessoas e pertences" do Parque Zucotti.

"Vamos continuar, vamos voltar, estamos a organizar-nos. As ideias que introduzimos na discussão neste país - quem recebe o quê, quem tem rede de segurança e quem é deitado às feras - esses princípios vão continuar", disse.

Mike Jackson, um dos manifestantes expulsos durante a noite pela Polícia, disse à Lusa que foram levados computadores, medicamentos, sacos cama, tendas, comida e que tudo sido deitado fora.

"Bateram-nos, desrespeitaram-nos trataram-nos como criminosos", lamentava o jovem.

A galeria de notáveis a passar pela ação de protesto incluiu também o defensor público de Nova Iorque, Bill de Blasio, que considerou que a ação policial da madrugada de terça-feira "foi provocadora e só vai criar mais conflito".

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