Kennedy pensou em ação militar no Brasil

O antigo presidente norte-americano John F. Kennedy equacionou uma possível intervenção militar no Brasil, um ano antes do golpe de Estado de 1964 que depôs o Presidente João Goulart, segundo documentos de arquivo hoje divulgados.

Uma gravação áudio foi revelada na página da internet Arquivos da Ditadura (http://arquivosdaditadura.com.br), do jornalista Elio Gaspari, contendo uma coleção de documentos relacionados com a instauração em 1964 de uma ditadura militar que duraria 21 anos.

Numa reunião na Casa Branca a 7 de outubro de 1963, 46 dias antes de ser assassinado, Kennedy perguntou ao seu embaixador em Brasília, Lincoln Gordon: "Então e... prevê alguma situação em que possamos considerar desejável intervirmos militarmente nós mesmos?", lê-se numa transcrição publicada no site.

"Bem, esta é a outra categoria, aquela a que eu chamo 'Perigosa Contingência Possivelmente Exigindo Ação Rápida'. É mesmo esse o problema", respondeu Gordon.

Anteriormente, o diplomata norte-americano dissera que a Casa Branca deveria aguardar sinais mais claros de que o Brasil estava a avançar para o modelo Fidel Castro em Cuba - a némesis de Washington no hemisfério ocidental - para justificar uma intervenção.

Uma tal operação provou-se desnecessária quando o golpe militar brasileiro avançou em abril de 1964 e depôs Goulart e Washington rapidamente reconheceu a junta militar que tomou o poder.

A conversa entre Kennedy e o embaixador no Brasil decorreu durante dois dias de conversações que o chefe de Estado norte-americano manteve com o seu Governo para avaliar os desenvolvimentos no Brasil e no Vietname, de acordo com o site do jornalista Elio Gaspari.

A gravação audio integrava um conjunto de gravações secretas ordenadas por Kennedy de todas as suas reuniões na Casa Branca desde 1962.

A primeira gravação continha outra conversa com Gordon, na qual a opção de um golpe de Estado no Brasil também era levantada.

Com a alcunha de Jango, João Goulart esteve no poder no Brasil entre 1961 e 1964. Oficialmente, morreu de um enfarte do miocárdio na Argentina em 1976, quando o país vizinho do Brasil também viu um golpe militar tomar o poder.

Nunca foi realizada uma autópsia ao corpo do ex-governante brasileiro e este foi enterrado sem honras de Estado.

Em novembro passado, os seus restos mortais foram exumados para determinar se Goulart foi envenenado.

Suspeita-se de que poderá tê-lo sido, no âmbito do Plano Condor, um programa de repressão que os regimes militares latino-americanos puseram em marcha para aniquilar a oposição nos anos 1970 e 1980 e erradicar a influência comunista ou soviética.

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