Julgamento do "mercador da morte" inicia-se terça-feira

O julgamento do antigo oficial do exército russo Viktor Bout vai iniciar-se na terça-feira num Tribunal Federal em Nova Iorque, sendo acusado de organizar a maior rede de tráfico de armas do mundo.

O ex-motorista e tradutor do exército soviético, de 44 anos, apelidado de "mercador da morte", foi preso num hotel em Banguecoque em 2008 e é acusado de ter tentado vender um arsenal de espingardas, metralhadoras e mísseis terra-ar a agentes dos serviços secretos dos Estados Unidos que se fizeram passar por guerrilheiros das FARC da Colômbia.

Entre os seus "feitos" como traficante de armamento, que não vão ser objecto deste julgamento em Nova Iorque, Bout terá estado envolvido no tráfico de combustível para a guerra em Angola e também para os conflitos no Afeganistão, República Democrática do Congo, Libéria, Ruanda, Serra Leoa e Sudão.

Apesar de se declarar inocente, Viktor Bout poderá incorrer numa pena de 25 anos ou a prisão perpétua, caso seja condenado

As autoridades norte-americanas acreditam que Viktor Bout, que fala seis línguas e é considerado por alguns como tendo sido membro dos serviços secretos soviéticos, poderá ter usado uma frota sua de aviões de carga, depois do final da Guerra Fria, para transportar armas para a África, América do Sul e Médio Oriente.

As façanhas de Viktor Bout inspiraram o personagem interpretado por Nicolas Cage no filme "Lord of War", lançado em 2005.

O julgamento está previsto durar três semanas, começa na terça-feira com a selecção dos 12 jurados escolhidos por 80 pessoas e vai ter medidas de segurança reforçada.

Segundo as autoridades dos EUA, Viktor Bout disse aos falsos membros das FARC que lhes poderia fornecer 700 mísseis, espingardas, metralhadoras e cinco mil milhões de munições, além de minas anti-pessoais e explosivos.

"A bordo dos seus aviões de carga, podia transportar o equipamento e entregá-lo com alta precisão em qualquer deserto, selva outro lugar do mundo nas mãos dos que eu chamaria a escória internacional ", disse Michael Braun, um dos agentes da agência anti-drogas dos Estados Unidos que preparou o esquema que levou à prisão de Bout na Tailândia.

Numa entrevista ao canal de televisão CBS, Braun garantiu que Viktor Bout era um dos homens "mais perigosos" no mundo do tráfico de armas.

Este julgamento ocorre num momento em que as relações entre Washington e Moscovo estão tensas.

A Rússia estava disposta a permitir que Bout pudesse viver em Moscovo e, quando este foi preso na Tailândia, protestou violentamente contra a sua extradição, em 2010, para os Estados Unidos, após uma longa batalha legal entre as autoridades judicias dos dois países.

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