Japão é maior aliado dos EUA, diz filha de Kennedy

Caroline Kennedy, a única filha sobrevivente do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy, assassinado há 50 anos, considerou hoje o Japão "o mais importante aliado dos Estados Unidos" na Ásia, ao assumir o posto de embaixadora no país.

A estreia neste posto diplomático acontece quando Tóquio se vê envolvido em disputas territoriais com a China e a Coreia do Sul, ao mesmo tempo que os Estados Unidos procuram aumentar a presença na Ásia, incluindo através de um ambicioso pacto de livre comércio.

Kennedy, que vai assumir a posição mais pública da sua vida adulta, parte para Tóquio na sexta-feira, alguns dias antes do 50.º aniversário do assassínio do pai, a 22 de novembro de 1963, em Dallas (Texas, sul dos EUA).

"Ao crescer numa família dedicada ao serviço do país, vi como as pessoas se podem unir para resolver desafios através de compromissos, comunicação e cooperação", disse, numa breve mensagem vídeo colocada no 'site' da embaixada.

"Como embaixadora, quero aprofundar a amizade, a aliança estratégica e a parceria económica entre os nossos países", sublinhou.

Caroline Kennedy afirmou ter desenvolvido uma relação pessoal com o Japão, desde que acompanhou o tio, o antigo senador Ted Kennedy, numa visita a Hiroshima, quando tinha 20 anos.

Em 1945, os EUA largaram duas bombas atómicas, nesta cidade e no porto de Nagasaki, ataque que acelerou a capitulação do Império japonês e o fim da Segunda Guerra Mundial.

"Deixou-me uma profunda vontade de trabalhar para um mundo melhor e mais pacífico", disse, sobre a visita a Hiroshima.

Numa receção na embaixada do Japão em Washington, na terça-feira à noite, Caroline prometeu "trabalhar para reforçar a aliança" entre os dois países.

"À medida que os Estados Unidos se reaproximam da Ásia, o Japão permanece o nosso mais importante aliado. A relação EUA-Japão é uma pedra angular da prosperidade, estabilidade e segurança regionais", disse Kennedy, numa declaração que deverá ser alvo da atenção especial da Coreia do Sul, cujas autoridades também se consideram um dos principais aliados dos EUA.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que apresentou Caroline na terça-feira, lembrou ter conhecido a filha de Kennedy na Casa Branca, quando trabalhou na primeira campanha de Ted Kennedy para o Senado em 1962.

Kerry, antigo senador do estado do Massachussetts, afirmou que o pai de Caroline pretendia ser o primeiro presidente dos Estados Unidos a realizar uma visita de Estado ao Japão. John F. Kennedy ficou gravemente ferido num ataque por um contratorpedeiro japonês em 1943.

"Isto é um símbolo de reconciliação, um símbolo de possibilidades, um símbolo das pessoas que sabem como ultrapassar o passado e olhar para o futuro e construir um futuro em conjunto", disse Kerry sobre a nomeação de Caroline Kennedy.

Com 55 anos, Caroline é a primeira mulher embaixadora dos Estados Unidos no Japão, que habitualmente regista uma baixa posição nas classificações de países desenvolvidos relativas à participação das mulheres na política e nos negócios.

O embaixador japonês nos Estados Unidos, Kenichiro Sasae, elogiou a escolha histórica e afirmou que a nomeação de Caroline Kennedy vinha complementar a política do primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, para aumentar a representação das mulheres na esfera económica.

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