Uma violenta chacina no pacífico Agosto de 69

Há 40 anos, no mesmo Verão em que uma geração apregoou a dicotomia "peace and love" em Woodstock, quatro hippies executaram um dos mais brutais assassínios da história. O grande mentor do crime foi Charles Manson, que planeou a morte de Sharon Tate, um dos ícones de Hollywood nos anos 60.

A madrugada de sábado ainda mal tinha começado. Estava uma noite quente e abafada, em Los Angeles. Um Chevrolet amarelo, desgastado do tempo, pousava em frente a uma luxuosa mansão em Bel Air. No carro estavam os quatro discípulos de Charles Manson, que se preparavam para invadir a casa. Charles Tex Watson tomou a iniciativa cortando os fios do telefone, no mesmo momento em que um carro sai da garagem. "Quem são vocês?", terá dito o condutor Steven Parent, amigo dos donos da casa. A resposta veio em forma de balas. Foram cinco. A sangue frio. Mas a bárbarie não ficaria por  ali e nos vinte minutos seguintes dar-se-ia uma das mais brutais chacinas da história americana. Foi há precisamente 40 anos. Era um calmo 9 de Agosto do Verão de 69, que seria fatal para a estrela de cinema Sharon Tate.

Os contornos macabros das mortes certamente dariam um mote para um episódio das Mentes Criminosas, ou a descrição de um romance não ficcão de Truman Capote. Porém, esta trágica noite de Agosto tem inspirado actos negativos. Ainda hoje, Charles Manson (que se encontra preso, agora com 73 anos) é uma inspiração para psicopatas e assassinos em série. Apesar de não estar presente, foi ele o autor moral do crime.

A actriz de Hollywood, que dois anos antes havia rodado Eye of the Devil (O Olho do Diabo), foi apanhada de surpresa naquela noite infernal. Com Sharon Tate foram assassinados "a tiro e à facada" mais quatro amigos, todos figuras da alta sociedade. Ao acabarem o serviço, os seguidores de Manson escreveram a palavra PIG (porco) na entrada da casa, utilizando como tinta o sangue derramado dos corpos mutilados.

O marido de Tate, o famoso realizador Roman Polanski, acabou por escapar à morte, pois se encontrava a rodar um filme em Londres. A imprensa sensacionalista chegou a acusá-lo de estar envolvido. Mais tarde, na sua autobiografia, Roman Polanski esclareceu: "Adiei várias vezes a minha partida de Londres para Los Angeles. Sharon e eu falávamos todos os dias ao telefone, às vezes mais de uma vez. Ela começava a ficar impaciente. A Califórnia fora tomada por uma terrível onda de calor, o que deve ter sido especialmente duro para uma mulher nas suas condições. Além disso, o bebé era esperado para dentro de duas semanas e ela não queria nenhum hóspede por perto quando ele chegasse."  Quando foi esfaqueada e baleada pelo clã Manson, Sharon estava grávida de oito meses e meio.

Plano maléfico

O assassínio de Sharon Tate não foi um acto isolado e seria apenas um episódio de um fim-de-semana sangrento. Na noite seguinte, o mesmo grupo de discípulos de Charles Manson, composto por Charles 'Tex' Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian, voltaram a matar. Desta vez, o casal Leno e Rosemary LaBianca foram as vítimas do maléfico plano de Manson. Daí que para a polícia e os jornais, os assassínios tenham sido mais tarde apelidados de "caso Tate-Labianca".

O plano de Manson era iniciar uma cruzada, que seria a maior batalha que a humanidade alguma vez travaria, a que deu o nome de uma canção dos Beatles: Helter Skelter. Nesta música, o psicopata lia mensagens ocultas que preconizavam um luta entre negros e brancos, em que os brancos seriam exterminados.

Assim, decidiu avançar com a chacina, acreditando que um negro seria prontamente acusado, espoletando os desejados confrontos interraciais. Para se proteger a si e à sua "família", Manson planeou refugiar--se no poço do deserto da Califórnia, logo que a guerra se iniciasse.

A polícia conseguiu, porém, deter o grupo assassino. Durante o julgamento, Manson mostrou repúdio pela humanidade e nem um sinal de arrependimento.

O fim do ícone

A matança levada a cabo pela "família Manson" poria a fim à vida da estrela de Hollywood, apenas com 26 anos. Na época em que foi assassinada, Sharon Tate já era famosa e juntamente com Polanski formavam um dos casais mais visados pela imprensa cor-de-rosa. No entanto, é inegável o contributo da sua morte trágica para se tornar num ícone de Hollywood.

A beleza de Tate nunca a deixou passar despercebida. Logo aos seis meses de idade, a pequena Sharon ganhou um concurso de beleza, sendo eleita Miss Tiny Tot de Dallas, a cidade onde nasceu.

O reconhecimento no mundo do cinema chegou mais tarde quando em 1967 participou na comédia hedonista Não Faças Ondas, em que contracenou com Tony Curtis. No mesmo ano, pousou para a Playboy, assumindo-se como uma sex-symbol. Porém, seria com a comédia A Dança dos Vampiros, dirigida por Roman Polansky, que Tate passaria definitivamente para o estrelato. Em 1968, Polansky e Tate casaram-se, num matrimónio que foi interrompido um ano depois pelo banho de sangue orquestrado por Manson. Uma autêntica lua de fel.

Os autores do crime acabariam por ser condenados à pena de morte, que seria comutada pelo Estado da Califórnia, passando a prisão perpétua. Hoje, todos continuam vivos (e presos) e têm visto ser negados sucessivamente pedidos de liberdade condicional.

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