Senado dos EUA aprova Jack Lew como secretário do Tesouro

O Senado dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira a nomeação de Jack Lew como novo secretário do Tesouro, apesar dos seus laços com Wall Street durante a crise financeira.

Os senadores votaram por larga maioria, 71 votos contra 26, a favor de Jack Lew, de 57 anos, que vai suceder a Timothy Geithner, à frente do Departamento do Tesouro.

Lew deve assumir as suas funções a partir da manhã de hoje.

Como secretário do Tesouro, Jack Lew vai desempenhar um papel importante na aplicação das leis de regulação financeira que visam evitar uma nova crise.

A sua entrada no Governo verifica-se quando o Governo Federal se prepara para a eventualidade de um período de austeridade forçada, com a entrada em vigor de cortes automáticos de despesa a partir de sexta-feira.

No verão de 2011, Jack Lew jogou um papel chave nas negociações com o Congresso, durante as quais estes cortes foram concebidos como um remédio forçado para reduzir o défice orçamental.

As finanças públicas são o vetor estruturante da sua carreira. Ex-braço direito do Presidente na Casa Branca e perito do orçamento, dirigiu o regresso dos EUA aos excedentes orçamentais no final dos anos 90, sob a Presidência de Bill Clinton.

Quando o republicano George W. Bush chegou à Presidência, em 2001, foi para o setor privado, para a direção da Universidade de Nova Iorque e depois para o banco Citigroup em 2006.

Quando saiu desta instituição financeira, recebeu um bónus de cerca de um milhão de dólares, mesmo antes de entrar no Governo de Barack Obama em janeiro de 2009, facto revelado durante o exame da sua candidatura pelo Senado.

Para os eleitos republicanos, o bónus é incompreensível, dadas as perdas abissais do banco durante a crise financeira, sendo só compreensível pela vontade do grupo bancário comprar os favores de um homem influente em Washington.

Mas as idas e voltas entre o governo e o mundo financeiro são moeda corrente. Muitos dos seus antecessores, à sua semelhança, trabalharam em Wall Street antes de assumirem funções no Tesouro.

Por exemplo, Henry Paulson, secretário do Tesouro entre 2006 e 2009, durante o segundo mandato de George W. Bush, esteve no banco de investimento Goldman Sachs durante 32 anos.

Da mesma forma, também Robert Rubin, antes de ser secretário do Tesouro de Bill Clinton, entre 1995 e 1999, passou 26 anos naquele banco, antes de entrar no Citigroup quando saiu do governo.

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