Partido Comunista pede inquérito à morte Pablo Neruda

O Partido Comunista chileno interpôs hoje uma acção judicial pedindo a abertura de um inquérito à morte do Nobel da Literatura Pablo Neruda, depois de testemunhas a terem atribuído a um homicídio ordenado pela ditadura de Pinochet.

Segundo a versão oficial dos acontecimentos, o escritor e diplomata Pablo Neruda (1904-1973) morreu de um cancro na próstata, numa clínica de Santiago do Chile, onde tinha sido hospitalizado.

Contudo, no início de maio, o antigo secretário e motorista do poeta, Manuel Araya, afirmou que Neruda foi assassinado para que não se tornasse, depois do exílio, num opositor à ditadura de Augusto Pinochet.

De acordo com Araya, que esteve à cabeceira de Neruda nos últimos dias da sua vida, o Prémio Nobel da Literatura contou-lhe que sentiu numa noite uma estranha picada administrada por um médico da clínica.

Um outro testemunho, o de um antigo embaixador do México no Chile, Gonzalo Martínez, que visitou o poeta na véspera da sua morte, acentuou a dúvida, declarando, segundo o Partido Comunista chileno, que Neruda estava longe de um estado clínico crítico.

A agência AFP refere que a acção judicial hoje apresentada é dirigida ao juiz Mario Carroza, que tem a seu cargo a reabertura do inquérito à morte do presidente Salvador Allende, ocorrida no golpe de Estado de 11 de Setembro de 1973, ao qual se seguiu a ditadura de Augusto Pinochet, que durou até 1990.

Pablo Neruda, o poeta do amor, era amigo de Salvador Allende.

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