Papa entende desconfiança na Igreja e nos políticos

Aqueles que "deixaram de ter confiança nas instituições políticas" corrompidas e aqueles "que perderam a fé" ao verem os erros dos padres e dos crentes que não seguem o Evangelho, têm razão, declarou esta noite no Rio de Janeiro o Papa Francisco, após o momento mais alto das XXVIII Jornadas Mundiais da Juventude a decorrerem até domingo nesta cidade brasileira.

O Papa Francisco expressou a sua compreensão e apoio moral aos "numerosos jovens" que não confiam nas instituições políticas corruptas e àqueles que perderam a fé devido aos maus padres, que não observam o Evangelho.

Francisco fez estas declarações depois da encenação da Via Sacra da XXVIII Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que decorreu na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, com a presença de centenas de milhares de pessoas.

O líder católico disse que Jesus "está unido aos numerosos jovens que não confiam nas instituições políticas, porque veem egoísmo e corrupção", uma alusão a todos os que, em qualquer parte do mundo, estão descontentes com a sua classe política e com as suas falsas promessas.

O Papa Francisco disse também que se une àqueles "que perderam a fé na Igreja, e mesmo em Deus, devido à incoerência dos cristãos e dos ministros do Evangelho".

O papa pediu "coragem" e garantiu aos jovens que o Cristo, com a cruz, "percorre as nossas estradas para tomar os nossos medos, nossos problemas, mesmo os mais profundos".

"Com a cruz, Jesus junta-se ao silêncio das vítimas da violência que não podem gritar, sobretudo aos inocentes e àqueles que estão desamparados", referiu. "Jesus une-se às famílias que estão em dificuldades, que choram a morte dos seus filhos ou que sofrem, vendo-os presos em paraísos artificiais, como a droga", disse em seguida. "Jesus une-se também a todas as pessoas que sofrem de fome num mundo que a cada dia joga no lixo toneladas de comida", afirmou.

Com a cruz, acrescentou, "Jesus une-se àqueles que são perseguidos pela sua religião, pelas suas ideias, ou simplesmente pela cor da sua pele".

Francisco fez a menção de que o primeiro nome do Brasil foi "Terra de Santa Cruz" e também falou sobre o sofrimento, como o que surgiu com os mais de 200 mortos em janeiro numa discoteca brasileira, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, orando pelas vítimas e suas famílias.

O líder católico apelou aos jovens para serem corajosos, para irem contra a corrente e não agirem como Pôncio Pilatos, que não teve a coragem de salvar Jesus.

O Papa Francisco acompanhou a encenação da Via Sacra - que foi realizada ao longo de um quilómetro da avenida Atlântica - no palco principal do evento, através de ecrãs instalados no local.

Ontem de manhã, Francisco confessou cinco jovens -- três brasileiros, um italiano e um venezuelano - na Quinta da Boa Vista, num evento privado.

Durante sexta-feira, que se assinalava o Dia dos Avós, o Papa sublinhou também a importância dos avós no seio da família para a transmissão da fé e dos valores aos mais jovens, antes de rezar a oração do Angelus Domini e abençoar os fiéis, no Palácio Arquiepiscopal São Joaquim.

O líder católico reuniu-se ainda com oito jovens, entre 16 e 18 anos, que estão atualmente presos e saudou o comité organizador da Jornada Mundial da Juventude, também no Palácio Arquiepiscopal São Joaquim.

O papa Francisco, que realiza sua primeira viagem internacional desde que se tornou papa, está no Rio de Janeiro até amanhã, domingo.

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