Obama quer republicano para chefiar o Pentágono

O Presidente dos EUA, Barack Obama, pretende indicar o ex-senador republicano Chuck Hagel para secretário de Defensa e pode anunciá-lo na próxima semana, confirmaram na sexta-feira fontes democratas e do congresso a vários media norte-americanos.

Vários líderes do Senado e da Câmara dos representantes receberam instruções da Casa Branca para se prepararem para a nomeação de Hagel, que poderá ser feita na segunda ou na terça-feira, noticiaram as cadeias televisivas CNN, NBC e Fox News e o diário Los Angeles Times.

" Fox News, uma fonte próxima do Partido Democrata disse: "Vai ser Hagel".

Este ex-senador republicano eleito pelo Estado do Nebrasca, com 66 anos e que participou na guerra do Vietname, encabeçou durante semanas a lista de candidatos para substituir o secretário da Defesa cessante, Leon Panetta, que deseja retirar-se nos próximos meses.

A Casa Blanca insiste em que Obama ainda não tomou a decisão final sobre a nomeação e que não o vai fazer enquanto não regressar das suas férias no Havai, o que está previsto para hoje, mas fonte da Presidência admitiu à televisão NBC que Hagel é um "candidato destacado" para o posto.

A escolha de um republicano para dirigir o Pentágono pode ajudar Obama a sustentar a imagem de conciliador que quis dar no seu discurso de vitória, depois das eleições de novembro, em especial perante a divisão política que se vive no Congresso.

Porém, Hagel tem sido criticado no último mês por vários congressistas e alguns meios de comunicação estimam que cerca de uma dezena de legisladores votariam contra durante a sessão de confirmação da nomeação.

Entre os motivos que justificam as críticas a Hagel estão a sua oposição à guerra no Iraque na última década e as duas vezes em que votou contra sanções ao Irão, uma das quais em 2007, quando se opôs à designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista.

É também alvo de ataques pelos grupos que defendem os direitos dos homossexuais, devido a umas declarações feitas em 1998, quando disse que um diplomata assumidamente homossexual não poderia representar o país com eficácia, das quais se veio a retratar.

Por fim, também ganhou inimigos entre os apoiantes de Israel quando disse, em 2008, que ao contrário de outros senadores não se sentia intimidado pelo "'lobby' judeu", em referência ao grupo de pressão pró-israelita AIPAC (sigla em Inglês para Comité de Assuntos Públicos Israelo-Americanos).

Mesmo assim, Obama considera que não há razões para rejeitar Hagel como candidato para dirigir o Pentágono, como afirmou no domingo durante uma entrevista à NBC News.

"Servi (no Senado) com Chuck Hagel e conheço-o. É um patriota. É alguém que fez um trabalho extraordinário no Senado dos EUA", disse Obama.

Hagel integra a equipa de assessores de Obama na área das informações, onde o Presidente garante que está a fazer "um trabalho relevante", e leciona na Universidade de Georgetown.

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