Milhares desfilam contra golpe de 1973 no Chile

Marcha sucedeu a dois dias do 40.º aniversário do golpe de Augusto Pinochet, que derrubou o presidente socialista Salvador Allende. Ditadura militar durou até 1990 e estima-se que mais de três mil pessoas tenham sido mortas e outras 38 mil torturadas.

Dezenas de milhares de pessoas desfilaram domingo à tarde em Santiago do Chile pela defesa dos direitos humanos e em homenagem às vítimas da repressão do golpe militar chefiado pelo general Augusto Pinochet, cujo 40.º aniversário se assinala dentro de dois dias.

Segundo os organizadores, estiveram presentes cerca de 60 mil pessoas, enquanto a polícia em cerca de 30 mil o número de manifestantes.

Durante a marcha, foram entoadas palavras de ordem de homenagem a Salvador Allende, o presidente socialista deposto pelo golpe, contra a atuação dos militares a 11 de setembro de 1973 e exigindo justiça. A manifestação terminou junto do principal cemitério de Santiago, onde foi erigido um memorial consagrado às vítimas do período da ditadura militar, que se estendeu até 1990. Durante os 17 anos de ditadura, estima-se que mais de três mil pessoas tenham morrido ou desaparecido.Outras 38 mil terão sido torturadas, segundo números oficiais.

No final do trajeto, um grupo de manifestantes envolveu-se em confrontos com a polícia, que recorreu a gás lacrimogêneo para os dispersar.

Na passada semana, a Associação Nacional dos Magistrados do Poder Judiciário do Chile pediu perdão pela "omissão" durante a ditadura. Foi a primeira vez que juristas reconheceram falhas ou omissões na sua atuação. Durante o regime militar houve cerca de 5 mil pedidos de proteção para desaparecidos ou pessoas detidas ilegalmente rejeitados pelos tribunais chilenos.No comunicado então divulgado, a associação nota que não é possível fugir às responsabilidades dos tribunais durante a ditadura, que "desconsideraram" direitos humanos básicos.

Augusto Pinochet morreu a dez de dezembro de 2006, sem nunca ter enfrentado a justiça.

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