Harvard distingue opositor venezuelano pela sua coragem

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, outorgou, este sábado, o prémio "Alumni Achievement Awards" a Leopoldo López, líder do partido venezuelano Vontade Popular, da oposição, "pelo corajoso trabalho a favor do povo" da Venezuela.

O prémio foi recebido pela mulher, Lilian Tintori, e pela irmã Adriana López, que leu uma carta de Leopoldo López, atualmente preso, que o dedica aos venezuelanos que diariamente protestam nas ruas e aos "mártires que entregaram a sua vida pela liberdade e a democracia na Venezuela".

Leopoldo López, 42 anos, é líder da Vontade Popular, um partido venezuelano de centro-esquerda, criado a 05 de dezembro.

"Quero dedicar este reconhecimento, em especial, aos venezuelanos corajosos, aos jovens, estudantes, homens e mulheres, que têm vindo a protestar nas ruas para exigir uma Venezuela melhor, numa luta devido à qual hoje muitos estão presos e milhares foram reprimidos e perseguidos por expressarem as suas ideias perante a ditadura", indicou na missiva.

A 18 de fevereiro, López entregou-se voluntariamente às autoridades, que o acusam, entre outros, de "instigação pública, danos à propriedade, delitos pelos quais incorre numa pena superior a 13 anos de prisão, se for considerado culpado.

Desde então permanece detido na prisão militar de Ramo Verde, a sul de Caracas.

López foi investigado pela alegada responsabilidade nos confrontos violentos, que começaram a 12 de fevereiro, com uma marcha massiva em Caracas, durante a qual três estudantes foram mortos, 66 pessoas ficaram feridas e 69 foram detidas.

Há mais de três meses que se registam diariamente protestos em várias regiões da Venezuela, os quais provocaram 43 mortos, milhares de feridos e de detidos, estando abertas 160 investigações por alegadas violações de direitos humanos dos manifestantes, havendo nomeadamente suspeitas de tortura e maus tratos.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela determinou, a 25 de abril, que qualquer concentração ou manifestação pacífica tem que ser previamente autorizada e que o direito de manifestação não é absoluto, admitindo restrições, apesar de estar contemplado na Constituição.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?