Ex-ditadores condenados por raptos de bebés

A justiça argentina condenou ontem a pesadas penas de prisão ex-líderes da ditadura que governou o país entre 1976 e 1983. Jorge Videla e Reynaldo Bignone, ex-ditadores, foram culpados pela prática de roubo de bebés, filhos de adversários políticos.

O tribunal decidiu "condenar o ex-general Jorge Videla (86 anos) a 50 anos de prisão e o ex-gerenal Reynaldo Bignone (84 anos) a 15 anos", leu a juiza, Maria Roqueta, a um tribunal lotado.

No total, oito ex-líderes militares foram julgados desde fevereiro de 2011 pelo desenvolvimento, daquilo que a juíza descreveu como um "plano sistemático" de roubo e apropriação de bebés de opositores do regime, nascidos na prisão. Pelo menos 500 bebés foram roubados.

Também foram condenados Jorge "Tigre" Acosta (30 anos de prisão), Antonio Vanek (40 anos), Juan Azic (14 anos), Jorge Magnacco, ex-médico militar (10 anos) e Santiago Riveros (20 anos). O ex-chefe da Marinha Ruben Franco foi absolvido.

Jorge "Tigre" Acosta era responsável pela Escola de Mecânica Naval, um emblemático centro de torturas situado em Buenos Aires, onde nasceram e foram retirados às suas mães a maioria dos bebés.

Também foram julgados Victor Gallo, ex-militar, e a sua mulher, a professora Susana Colombro, pela apropriação das crianças. Estes foram condenados a 15 e 5 anos de prisão respetivamente. O ex-polícia Eduardo Ruffo, julgado pelo mesmo crime, foi absolvido.

O veredito foi recebido com exclamações de alegria, canções e lágrimas sobre os degraus do tribunal, onde centenas de pessoas assistiram através de um ecrã gigante à leitura da decisão, relataram os jornalistas da AFP.

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