EUA alertam para corrupção na Europa de leste

A diplomacia norte-americana alertou, na quarta-feira, que a corrupção ameaça algumas democracias da Europa central e de leste, exortando esses países, como a Ucrânia e a Bósnia-Herzegovina, a aderirem à União Europeia.

"Quando tentamos superar ódios antigos e completar o mapa democrático da Europa, devemos neutralizar um outro veneno que ameaça muitas democracias jovens europeias: a corrupção", afirmou a nova secretária de Estado adjunta dos Estados Unidos para a Europa, Victoria Nuland.

Num discurso no centro de reflexão Atlantic Council de Washington, Nuland salientou que a "confiança dos povos nos seus governos eleitos está a sofrer uma erosão na Europa central e de leste, porque os eleitores pensam que os seus dirigentes servem os seus próprios interesses antes dos interesses da população".

"A corrupção mata de forma perniciosa os sonhos democráticos", sublinhou, considerando que a "qualidade da democracia e do Estado de Direito na Europa é profundamente desigual".

Victoria Nuland citou o "momento histórico" em que estão a Ucrânia, a Moldávia e a Geórgia, que deverão assinar um acordo de associação com a União Europeia durante uma cimeira em Vílnius nos próximos dias 28 e 29.

"Os Estados Unidos congratulam-se com a escolha europeia das três nações", insistiu a mais alta responsável norte-americana incumbida dos assuntos europeus, que foi embaixadora dos Estados Unidos na NATO, em Bruxelas, antes de ser nomeada porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

A Ucrânia afastou-se, na quarta-feira, de um acordo de associação com a União Europeia ao não tomar uma decisão no sentido de permitir a partida para o estrangeiro da opositora detida Iulia Timoshenko e que os europeus esperam que seja tomada antes da cimeira do final do mês.

A União Europeia impõe a libertação de Timoshenko como condição para assinatura de um acordo de associação com Kiev.

"Juntamos a nossa voz à da União Europeia para que dirigentes ucranianos façam uma escolha justa e histórica para os seus 45 milhões de cidadãos", apelou Nuland, saudando a Sérvia e o Kosovo pelo caminho percorrido "no sentido de uma reconciliação", exortando-os a "integrarem totalmente as estruturas europeias".

A secretária de Estado adjunta dos Estados Unidos para a Europa salientou, por outro lado, que se os "dirigentes [da Bósnia Herzegovina] continuarem a bloquear a adesão do seu país à União Europeia e NATO, os parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos, deverão reavaliar seriamente a sua abordagem".

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João Gobern

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