Efetivos militares reduzidos para nível pré-1940

O Governo dos EUA pretende reduzir os efetivos do Exército para o nível mais baixo desde 1940, em consequência do fim de 13 anos de guerras no Iraque e Afeganistão, anunciou hoje o secretário da Defesa, Chuck Hagel.

"Decidimos reduzir os efetivos no ativo do exército para um total entre 440 mil e 450 mil soldados", indicou, ao apresentar as prioridades orçamentais para 2015.

Esta redução vai significar a redução em cerca de 13% do conjunto de 520 mil militares atuais.

Antes do anúncio de hoje, já tinha sido divulgada a intenção do Exército cortar os seus efetivos para 490 mil, até 2017, segundo disse à AFP um dirigente da Defesa sob anonimato.

A quantidade de 450 mil soldados é a mais baixa desde o período entre guerra mundiais, antes de a circunscrição ser restabelecida de 1940 a 1973.

Depois da Guerra Fria, os efetivos tinham descido para 479 mil em 1999, antes de subirem com o 11 de setembro de 2001, atingindo 566 mil em 2010, devido às guerras no Afeganistão e Iraque.

"Vamos dimensionar os nossos efetivos para operações de estabilização. Um Exército deste tamanho é demasiado grande em relação às nossas necessidades de defesa", justificou o chefe do Pentágono, durante uma conferência de imprensa.

Estas reduções vão permitir "garantir que o Exército permanece bem treinado e claramente superior em termos de armas e equipamentos", justificou.

Estes efetivos vão permitir "vencer de forma decisiva" uma agressão inimiga num teatro de operações, ao mesmo tempo que é capaz de assegurar a segurança do território norte-americano e fornecer tropas em quantidade suficiente para apoiar as operações navais e aéreas num segundo teatro de operações. Cai assim a exigência de vencer dois inimigos ao mesmo tempo.

A perspetiva de um Exército reduzido a cerca de 450 mil militares permanece porém a opção mais favorável para este ramo das forças armadas, uma vez que o Pentágono trabalhou nos últimos meses cenários de cortes que poderiam diminuir até 380 mil soldados.

Os efetivos da Guarda Nacional (335 mil na componente terrestre) e na situação de reserva (205 mil), a que o Pentágono recorreu no Iraque, não serão poupados, sendo amputados em 20 mil e 20 mil, respetivamente.

A dimensão do corpo de elite Marines, que conta com 190 mil, vai também ser revisto em baixa e passar para 182 mil, acrescentou Hagel.

Depois de ter duplicado após os atentados de 2001, o orçamento do Pentágono está confrontado com uma redução, que se prevê durável.

Um acordo entre republicanos e democratas, verificado no Congresso, em dezembro, prevê um orçamento máximo de 496 mil milhões de dólares (361 mil milhões de euros) para a defesa em 2015.

O Pentágono conta acrescentar 26 mil milhões de dólares, ainda não financiados neste momento, para modernizar alguns equipamentos, adiantou Hagel.

O projeto de orçamento da Defesa deve ser apresentado oficialmente em 04 de março.

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