Aniversário da morte de Chávez com protestos e festa

O primeiro aniversário da morte de Hugo Chávez foi marcado por manifestações, quer dos venezuelanos que quiseram honrar a memória do seu falecido presidente, quer dos que protestam atualmente contra o governo do seu sucessor, Nicolás Maduro.

Aos tradicionais cartazes com os "olhos" de Hugo Chávez "olhando" para a sociedade, principalmente no centro de Caracas, juntaram-se fotos do líder socialista, de diversos tamanhos, para exteriorizar, em edifícios, carros e t-shirts, o amor de muitos venezuelanos ao "comandante supremo".

Com uma camisola vermelha com a cara do falecido líder estampada em cor branca, a venezuelana Betsaida López percorreu hoje a central Av. Baralt de Caracas para exteriorizar "o amor" por um homem que "ajudou muitos os venezuelanos, que soube entender o povo".

"Vivia em Vargas (norte de Caracas) aquando das enxurradas [em 1999], do pouco que tinha fiquei sem nada. Com a ajuda de Chávez, hoje tenho uma pequena casa em Charallave (sul de Caracas) e nunca vou esquecer o que esse homem fez por nós. Chávez não morreu, ele vive e a luta continua", disse à Agência Lusa, emocionada.

Por outro lado, afirmou que "enquanto Chávez vivia, tentaram passar a imagem de que era um demónio e um ano depois de partir, os contra-revolucionários, os burgueses e a classe rica, com ajuda exterior, continuam a tentar satanizar os seus ensinamentos", mas contrapôs: "triunfaremos".

O leste de Caracas amanheceu com barricadas colocadas em ruas importantes, algumas das coisas foram depois removidas. A meio da manhã eram poucas as pessoas que passavam pela Praça Altamira, o epicentro de protestos e de confrontos entre manifestantes e polícias.

Escombros nas ruas denunciavam anteriores ações e um pouco mais abaixo, um batalhão de polícias com equipamento anti-motim vigiava os cidadãos, esperando futuros desenvolvimentos.

"Nos últimos dias tem sido assim, marchas e protestos desde o cair da tarde, barricadas que sujam as ruas e impedem a circulação, afugentando os clientes, que temem vir para estes lados", disse uma comerciante portuguesa à Agência Lusa.

Com um dedo a apontar para um lado da praça, explicou: "agora já nem o homem dos cachorros quentes está, quando começam a atirar pedras, isto é um pandemónio".

Ao ver o carro de reportagem da Agência Lusa, uma manifestante afirmoi: "se quer ver ação venha mais tarde, agora temos mais uma razão para nos manifestarmos, a presença de Raul Castro [presidente de Cuba] no país".

"Não queremos que a Venezuela seja outra Cuba, queremos paz, mas também liberdade, segurança, que não sejam discriminados os opositores, que o Governo deixe de seguir instruções dos cubanos e que não nos acusem de fascistas", frisou.

Várias fontes dão conta de que ao longo do dia registaram-se vários 'toques de tacho' contra o governo venezuelano, principalmente durante o desfile cívico-militar que assinalou o aniversário da sua morte, e que foram colocadas barricadas em localidades como El Cafetal, Baruta, Los Ruices e El Marquês.

Na Avenida Francisco de Miranda, à altura de Chacao foi pendurado um boneco pelo pescoço com a mensagem "fora os médicos cubanos".

Segundo a imprensa nos Estados venezuelanos de Táchira, Carabobo e Mérida, registaram-se vários protestos e bloqueios de ruas.

Desde há três semanas que se registam diariamente protestos em várias localidades da Venezuela, entre manifestações pacíficas e atos de violência, que provocaram pelo menos 19 mortos, 270 feridos e mais de um milhar de detidos.

Os protestos começaram a 12 de fevereiro, com uma marcha pacífica de estudantes contra a insegurança, mas intensificaram-se nesse mesmo dia, quando confrontos entre manifestantes, forças da ordem e alegados grupos armados provocaram a morte de três pessoas.

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Rosália Amorim

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