EUA querem que NATO ajude a Ucrânia

O Presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que a NATO deve defender os seus aliados e assumir um compromisso claro para ajudar a Ucrânia. O líder norte-americano falava hoje em Tallinn, na Estónia, na véspera de uma cimeira de dois dias da NATO em Cardiff, no País de Gales, Reino Unido.

"A NATO deve assumir um compromisso concreto para ajudar a Ucrânia a modernizar e a fortalecer as suas forças. Temos de fazer mais para ajudar os parceiros da NATO, incluindo a Geórgia e a Moldávia, fortalecendo também a sua defesa", disse Obama, num discurso que fez perante estudantes universitários numa sala de concertos lotada da capital estónia.

"Temos que reafirmar o princípio que sempre guiou a nossa Aliança [Atlântica]: para aos países que estão em sintonia com os nossos valores e que podem dar contributos importantes para a segurança aliada a porta da adesão à NATO vai permanecer sempre aberta", sublinhou, depois de na semana passada os líderes ucranianos terem admitido a hipótese de vir a pedir a entrada da Ucrânia na NATO.

Esta cimeira de Cardiff ocorre num momento de grande crispação entre os aliados e a Rússia de Vladimir Putin por causa da Ucrânia. "Não aceitaremos a ocupação e anexação ilegal da Crimeia ou de qualquer outra parte da Ucrânia (...) A agressão da Rússia ... é uma agressão contra a integridade territorial da Ucrânia", detalhou Obama, numa altura em que rebeldes separatistas pró-russos controlam partes do leste daquela ex-república da União Soviética.

Horas antes, em declarações à imprensa em Tallinn, o Presidente (democrata) tinha já anunciado o reforço da presença militar norte-americana no leste da Europa, sublinhando o compromisso dos EUA para com a segurança dos seus aliados. "Estónia, Lituânia, Letónia, vocês não são territórios pós-soviéticos; são países independentes com o direito de tomar as vossas próprias decisões", reafirmou Obama, lembrando: "Somos fiéis ao artigo V [do Tratado do Atlântico Norte] sobre defesa coletiva. A Estónia nunca estará sozinha".

Da cimeira de Cardiff poderá assim sair um tom mais duro em relação à Rússia do que aquele que saiu da cimeira de Lisboa em 2010, quando se relançou a parceira NATO-Rússia, se fizeram afirmações de que o clima da Guerra Fria nunca mais regressaria e até se convidou o então presidente russo Dmitri Medvedev a estar na capital portuguesa.Na altura, o assunto quente entre os aliados e a Rússia era o projeto de escudo antimíssil da NATO, sendo que os países da Aliança Atlântica e o representante de Moscovo acordaram cooperação e comunicação sobre este dossiê. Hoje, o Presidente da Rússia é Vladimir Putin e o ambiente é de clara tensão.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG