Entrada de intruso na Casa Branca é "inaceitável"

A diretora dos serviços secretos norte-americanos, responsáveis pela segurança do Presidente norte-americano, qualificou hoje como "inaceitável" a situação que envolveu a entrada de um intruso na Casa Branca a 19 de setembro, assumindo a responsabilidade pelo incidente.

"Assumo a minha responsabilidade. O que aconteceu é inaceitável e não voltará a acontecer", afirmou Julia Pierson, numa audiência no Comité de Reforma e Supervisão Governamental da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano).

"É claro que o nosso plano de segurança não foi executado de forma correta", reconheceu Pierson, a primeira mulher nomeada para dirigir esta agência de segurança.

A audiência de Julia Pierson foi precedida pela divulgação de informações nos media norte-americanos que revelaram graves falhas desta unidade especial que tem como missão, entre outras, a proteção do Presidente dos Estados Unidos.

Omar Gonzalez, o veterano de guerra que invadiu a Casa Branca no passado dia 19 de setembro, conseguiu mesmo entrar no interior da residência presidencial, informação que não foi divulgada inicialmente pelos serviços secretos, segundo noticiou na segunda-feira o jornal The Washington Post.

De acordo com o diário, Gonzalez, que estava na posse de uma pequena arma branca, pulou a vedação junto ao pórtico norte da Casa Branca (localizada na Avenida da Pensilvânia), atravessou rapidamente o jardim e só foi detido por um agente depois de percorrer cerca de 50 metros no interior do edifício, perto da Sala Este da residência, que é usada para receções e outros eventos.

Inicialmente, os serviços secretos informaram que o intruso tinha sido detido logo à entrada do edifício, onde não estava, naquela altura, a família presidencial norte-americana.

A diretora dos serviços secretos recordou hoje que, na mesma noite do incidente, a segurança foi reforçada e que o secretário de Segurança Nacional, Jeh Johnson, ordenou uma "investigação completa" dos acontecimentos.

Pierson, que assume o cargo desde 2013, sublinhou ainda que "os serviços secretos detiveram 16 indivíduos que saltaram os portões durante os últimos cinco anos, incluindo seis durante este ano".

Gonzalez, um texano de 42 anos, é um ex-combatente que esteve no Iraque por três ocasiões e sofre de stress pós-traumático, de acordo com a família.

Alguns dias depois do incidente, um procurador federal afirmou que tinham sido encontrados 800 cartuchos dentro do carro de Omar Gonzalez.

Gonzalez foi acusado por um tribunal federal de Washington de entrada ilegal com posse de uma arma perigosa, um crime que pode resultar numa pena de prisão até 10 anos. O ex-combatente, que está sob custódia, deverá comparecer diante do tribunal na quarta-feira.