Confrontos marcam tomada de posse de Enrique Nieto

Centenas de manifestantes no México entraram hoje em conflito com a polícia em frente ao Palácio do Congresso, onde o novo presidente do México, Enrique Pena Nieto, toma posse.

Pelo menos cinco polícias e vários manifestantes ficaram feridos depois do lançamento de 'cocktails molotov', carga policial e gás lacrimogéneo, sendo que um dos polícias foi atingido com uma pedra na face e vários afetados pelo gás.

"Não esperávamos tanta violência", afirmou um dos polícias à AFP.

O grupo em confronto com as autoridades mexicanas protesta contra o novo presidente do México, Henrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI) e que significa o regresso ao poder do partido centrista que dominou a vida política do país durante mais de sete décadas e até 2000, quando foi declarada a vitória nas urnas do Partido de Ação Nacional (PAN, direita) dos ex-presidentes Vicente Fox (2000-2006) e do cessante Felipe Calderón (2006-2012).

O "menino bonito" do PRI, 46 anos, ex-governador do estado do México, e vencedor das polémicas presidenciais de 1 de julho, não tem sido poupado pelos adversários políticos, que destacam a sua impreparação, num México que mudou desde 2006.

Há seis anos, quando tomou posse e na sequência de um escrutínio, de novo muito contestado pela oposição de esquerda devido a supostas fraudes eleitorais, Calderón decidiu de forma inesperada mobilizar o exército na luta contra os poderosos cartéis do narcotráfico.

O balanço em seis anos é particularmente sangrento: entre 80.000 a 100.000 mortos, milhares de desaparecidos, centenas de milhares de civis deslocados e a multiplicação das organizações com ligações ao lucrativo comércio ilegal de drogas, ou à imigração ilegal, que tem como principal cliente os Estados Unidos, o poderoso vizinho do norte.

Na terça-feira, a Amnistia Internacional (AI) pediu ao novo Governo para atuar com decisão contra "a violência e a tortura" que desde 2006 se agravou no país.

"A 'guerra contra as drogas' lançada pelo Presidente cessante Felipe Calderón provocou um aumento dramático da violência", assinalou Maja Liebing, responsável da AI para a América Latina.

Portugal está representado no ato de posse pelo ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.

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