Canadá deportou Léon Mugesera para o Ruanda

O ex-político hutu Léon Mugesera, acusado de ter instigado ao genocídio da etnia tutsi em 1994 no Ruanda, foi na segunda-feira deportado do Canadá rumo ao país de origem.

Num ponto final a 16 anos de luta legal que empreendeu no Canadá para evitar a deportação, este ex-dirigente político hútu e professor universitário foi enviado ao final da tarde de segunda-feira para o Ruanda, onde irá ser alvo de julgamento pelo discurso que fez em 1992, no qual incitou ao extermínio dos Tustis, assim como por crimes contra a humanidade.

As autoridades canadianas não perderam tempo na segunda-feira e transportaram Mugesera para o aeroporto internacional de Montreal poucas horas depois de o Supremo Tribunal do Quebeque se declarar incompetente para suspender a ordem de deportação, na sequência de um apelo do Comité contra a Tortura das Nações Unidas.

Numa derradeira tentativa, ao início da tarde, os advogados de Mugsera interpuseram um novo recurso para o Tribunal Federal com vista a impedir a partida, mas esta instância rejeitou-o.

Apesar de os advogados de Mugesera insistirem que ele correrá risco de tortura e não terá uma justiça imparcial se regressar a Kigali, o governo ruandês e o procurador-geral deram a Otava garantias de um julgamento justo e de respeito dos direitos, as quais se juntam à abolição da pena de morte no país em 2007.

A mais recente ordem de repatriamento de Mugesera era de 12 de janeiro, mas conseguiu um adiamento por uma semana, ordenado pelo Supremo Tribunal do Quebeque, devido a ter sido hospitalizado e por o Comité contra a Tortura das Nações Unidas em Genebra, Suiça, ter solicitado às autoridades canadianas para manterem o ruandês no país por algum tempo, a fim de poder apreciar os riscos de tortura invocados pelos advogados.

Assim que teve alta do hospital, Mugesera foi detido e submetido a uma audiência na Comissão de Imigração e do Estatuto do Refugiado, a qual determinou a sua detenção num centro de imigração em Laval, junto a Montreal, até ser deportado, por considerar que ele apresentava um "risco de fuga".

A detenção visava, por outro lado, evitar que as circunstâncias duvidosas que levaram à hospitalização do ruandês voltassem a verificar-se, disse a juíza.

Este antigo político ruandês chegou com a família ao Canadá em 1993, onde pediu asilo.

Três anos depois, o governo canadiano, depois de obter provas de que ele fizera um discurso político no Ruanda em 1992, no qual incitava os membros do seu partido a exterminarem os tutsis, retirou-lhe a autorização de permanência no país e decretou-lhe a primeira ordem de deportação.

Mugesera iniciou então uma batalha legal com vista a ficar no Canadá, mas foi deportado na segunda-feira.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG