Advogado norte-americano vai processar Bento XVI

O advogado norte-americano Jeef Anderson, que representa centenas de vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes católicos, anunciou em declarações à CNN que vai processar o papa Bento XVI, que hoje resignou, por violação de direitos humanos.

Em declarações à cadeia televisiva norte-americana na noite de quarta-feira, Anderson, fundador da Jeff Anderson e Associados em St. Paul, Minnesota, considerou que o papa Bento XVI e o cardeal mexicano Norberto Rivera Carrera "merecem estar na prisão"e disse que já decorrem recursos em tribunais dos Estados Unidos e no tribunal de Haia por violação dos direitos humanos de menores.

Num artigo de opinião hoje divulgado na página da internet da CNN, o advogado considera ainda que "a autoridade moral e o futuro da Igreja Católica Romana" dependem da "necessária abordagem do novo papa face aos abusos sexuais de crianças cometidos nas suas fileiras".

De acordo com o diário digital mexicano Sin Embargo, que hoje destaca as declarações do advogado do Minnesota, Rivera Carrera poderá comparecer perante e justiça em abril, quando for iniciada a parte judicial do processo contra o cardeal de Los Angeles, Roger Mahoney. O cardeal mexicano terá de esclarecer a sua suposta ligação a um escândalo de abusos sexuais a menores no interior da igreja católica mexicana.

O cardeal mexicano terá encoberto na década de 1980, quando era bispo em Tehuacán, estado de Puebla, abusos sexuais a menores que o padre Nicolás Aguilar Rivera terá cometido no México e Estados Unidos, segundo refere uma correspondência epistolar que manteve com o cardeal Roger Mahony, e divulgada em janeiro por ordem de um tribunal de Los Angeles que investiga os casos.

Numa das cartas, Norberto Rivera Carrera indica que conhecia as tendências pedófilas e a homossexualidade do padre Aguilar Rivera.

Em 31 de janeiro, recorda ainda o diário Sin Embargo, o arcebispo de Los Angeles, José Gómez, destituiu Mahony de todas as suas funções, por não ter denunciado "algumas das centenas de casos de abusos sexuais de menores" cometidos por sacerdotes e pela "má gestão" desta questão.

Na sequência de denúncias de familiares das vítimas, Mahony foi acusado pelo facto de a Igreja ter contribuído para atrasar a detenção de Aguillar Rivera, que assim conseguiu escapar para o México, sendo suspenso posteriormente, e encontrando-se atualmente "desaparecido".

O ex-sacerdote da arquidiocese do México, Alberto Athié, já pediu publicamente que o cardeal mexicano não esteja presente na Capela Sistina para votar o sucessor de Bento XVI.

Diversas organizações católicas também solicitaram que o cardeal norte-americano Roger Mahony não compareça em Roma pelos mesmos motivos.

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