Estados Unidos vão ter dez vezes mais 'scanners'

União Europeia e Estados Unidos assinaram ontem a primeira declaração conjunta sobre a necessidade de melhorar a cooperação no combate ao terrorismo e reforçar a segurança aeroportuária, mas falharam em chegar a acordo sobre a generalização do uso de scanners corporais nos aeroportos dos dois lados do Atlântico. Apesar desse impasse, os ameri-canos já decidiram aumentar em cerca de dez vezes o número de scanners nos seus aeroportos: de 40, passarão a ser 450.

A informação foi dada pela secretária da Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, que falava à margem da reunião dos ministros da Administração Interna da União Europeia em Toledo. "Os Estados Unidos não estão aqui para exigir nada nesta reunião. A Al--Qaeda utiliza os seus melhores cérebros para violar a segurança aeroportuária e nós devemos privá-la desta possibilidade. O atentado falhado do dia 25 de Dezembro visava um avião de uma companhia americana, mas a bordo iam passageiros de 17 nacionalidades distintas. Os scanners corporais são um instrumento à disposição dos Estados. Nós temos 40 e teremos 450 mais", disse, citada pela AFP, a responsável da Administração Obama.

A União Europeia, por seu lado, pediu mais tempo para convencer as suas opiniões públicas da necessidade deste tipo de medida. Alfredo Pérez Rubalcaba, ministro do Interior de Espanha, país que está na presidência da UE, tentou fazer crer aos jornalistas que os scanners nem sequer foram discutidos nesta reunião. "Elaboraremos medidas concretas para a próxima cimeira UE-EUA, que decorrerá em Março", declarou o governante socialista. Reino Unido e Holanda estão entre os países que já usam scanners corporais nos aeroportos internacionais. Espanha e Portugal são dos que ainda não têm e defendem que a sua introdução generalizada depende de uma posição comum da UE.

A Comissão Europeia já tentara introduzir, no passado, a medida dos scanners nos pacotes de medidas antiterrorismo. Mas esbarrou no Parlamento Europeu, onde alguns eurodeputados denunciaram que os scanners corporais mostram as pessoas quase nuas, violando, por isso, as liberdades e garantias dos cidadãos. O assunto voltou à actualidade depois de um nigeriano de 23 anos ter tentado explodir, no dia de Natal, um avião que ligava Amesterdão a Detroit. O jovem estaria ligado à Al-Qaeda no Iémen, onde, segundo ele, esteve a receber treino.

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