Estado Islâmico, o inimigo comum que fez EUA querer falar com Assad

Analistas acreditam que, se presidente fosse afastado, jihadistas seriam grandes beneficiários. Washington parece optar por mal menor.

18 de agosto de 2011, o presidente americano Barack Obama dizia em comunicado: "O futuro da Síria tem de ser determinado pelo povo, mas o presidente Bachar al-Assad está no caminho. Para bem do povo sírio, chegou a hora de Assad se afastar." Uma guerra, 220 mil morto e um inimigo comum - o Estado Islâmico - depois, o discurso dos EUA mudou. E o secretário de Estado John Kerry veio ontem admitir: "Bem, vamos ter de acabar por negociar [com Assad]."

Mudança de estratégia ou subtileza retórica? Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Marie Harf, Kerry limitou-se a repetir "a política há muito defendida" por Washington. "A nossa política continua a mesma e é clara: não há futuro para Assad na Síria", escreveu a responsável no Twitter.

Nos últimos anos, a Casa Branca insistiu que uma solução política para a Síria passava pelo afastamento de Assad. Em 2013, os Estados Unidos chegaram a ameaçar com uma intervenção militar após um ataque com armas químicas em Aleppo que os americanos atribuíram às forças do regime. Mas acabou por recuar, em troca da garantia de Assad de que iria entregar todo o arsenal químico.

Se este foi o primeiro sinal de que a atitude dos Estados Unidos estaria a mudar, a viragem definitiva tem outro protagonista: o Estado Islâmico. O grupo islamita controla uma vasta região da Síria. E muito analistas acreditam que caso Assad fosse afastado, seriam os jihadistas - que ganharam fama mundial com os vídeos de decapitações de reféns ocidentais - os principais beneficiários. Um cenário que ameaça mergulhar a Síria em ainda mais caos e violência.

Leia mais pormenores na edição impressa ou no epaper do DN

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG