Esquerda acusa PP e PSOE de negar o debate

O grupo parlamentar Esquerda Plural acusou hoje os dois maiores partidos espanhóis de mostrarem "pânico patológico à participação da cidadania" ao bloquearem qualquer debate alargado sobre a abdicação de Juan Carlos.

Assim começou o debate para a aprovação da norma que formalizará a abdicação de Juan Carlos. Joan Coscubiela, deputado da IU-ICV e membro desse grupo parlamentar, foi o primeiro a intervir no debate sobre a norma que regula a abdicação de Juan Carlos e que vai ser hoje discutida e votada num processo de leitura única e de urgência. "Estão a construir um perigoso teorema político que debilita a democracia. Quanto mais transcendente a lei, menos debate social, político e parlamentar. Com este procedimento impedem que possamos desempenhar bem a nossa função, deixando o parlamento automutilado nas suas funções", afirmou.

Para Coscubiela, não há motivos para aplicar o procedimento de urgência, já que "se se esperou 35 anos para regular a abdicação, podem-se agora utilizar uns dias para debater a abdicação". "A sociedade merece um debate em condições. Vocês demonstram uma grave e crónica alergia ao debate social e parlamentar. Tem medo aos cidadãos. O de vocês não é temor, é pânico patológico à participação da cidadania", considerou. Em resposta, PSOE e PP defenderam o procedimento, tendo Soraya Rodriguez (PSOE) defendido o modelo de urgência porque a norma cumpre os requisitos, "quando a natureza do projeto o aconselhe ou pela simplicidade do mesmo".

Bermudez Castro, do PP, também criticou os comentários da Esquerda Plural, afirmando que o modelo de urgência foi utilizado já em numerosas circunstâncias e que os "argumentos peregrinos" dos críticos ignoram o facto de que esta opção"respeita todas as condições e trâmites exigidos". A decisão de tramitar a lei orgânica da abdicação foi aprovada com 311 votos a favor, 19 contra e seis abstenções.

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