"Emenda Charb" na lei de imprensa vai facilitar a vida às pequenas publicações

A lei quer ajudar pequenos jornais que tenham dificuldade em financiar-se com publicidade, como era o caso do 'Charlie Hebdo'.

O senado francês aprovou por unanimidade aquela que está a ser chamada a "emenda Charb", uma alteração à lei da modernização da imprensa que vai permitir reduções de impostospara as pessoas que façam doações às publicações de imprensa.

A "emenda Charb" foi introduzida numa lei de modernização da imprensa, e permite agora que os particulares que invistam na imprensa, em empresas que tenham menos de 50 funcionários. Existem duas categorias: uma redução de impostos de 30% para aqueles que deem até dois mil euros a publicações de política ou generalistas, e até 50% se o investimento for para as chamadas "empresas solidárias" de imprensa.

"Se ainda fosse vivo, Charb teria erguido o punho esta noite", disse Olivier Dartigolles, porta-voz do partido comunista, citado pelo Le Figaro. A emenda à lei da imprensa foi proposta pelo Partido Comunista Francês, que queria fazer dela uma homenagem às vítimas do atentado ao semanário satírico Charlie Hebdo, que vitimou cartoonistas, jornalistas, e o diretor do jornal, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb.

"É uma forma de ajudar ao financiamento participativo", disse a ministra da Cultura, Fleur Pellerin, numa entrevista ao canal France Info. O objetivo é ajudar "as jovens empresas mediáticas que se queiram lançar. É muitas vezes difícil juntar os fundos ao início e sobreviver".

Em França, o setor da imprensa vive uma crise profunda há vários anos, conforme relembra o jornal Libération, pelo que a "emenda Charb" vem ajudar as publicações mais frágeis, que têm dificuldade em manter-se em funcionamento apenas com os lucros publicitários, como era o caso do semanário Charlie Hebdo, mas também de outros pequenos jornais como os icónicos La Croix e L'Humanité.

Olivier Dartigolles relembrou que o Charlie Hebdo estava com muitas dificuldades financeiras antes dos atentados. "Na altura, o Charlie Hebdo estava financeiramente estrangulado", disse Dartigolles ao jornal Scan.

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