"Em Espanha há duas opções: revolução ou regeneração"

Cayetana Álvarez de Toledo falou ao DN sobre a consulta catalã, os casos de corrupção que se multiplicam no país e a ascensão do partido Podemos.

Deputada do Partido Popular (PP) eleita por Madrid e porta-voz da plataforma Libres e Iguales, Cayetana Álvarez de Toledo viu uma frase que escreveu no Twitter após a consulta do 9-N na Catalunha tornar-se uma das críticas mais faladas em relação ao governo de Mariano Rajoy. Ao DN, falou sobre a consulta catalã, o Estado de Direito em Espanha, os casos de corrupção que se multiplicam no país e a ascensão do partido Podemos.

Já passou uma semana desde a consulta na Catalunha. Mudou alguma coisa em Espanha?

Muitos podem não ter reparado, mas o Estado de direito em Espanha ficou debilitado. Sofreu um desafio e consumou-se. É importante perceber que a consulta impulsionada pela Generalitat faz parte de um processo de insurreição. Mais além das intenções de independência que têm alguns setores, procura-se que na Catalunha não vigore a legalidade constitucional espanhola. Querem sublinhar que lá mandam eles e não a lei espanhola. O 9-N representou uma grande afronta à legalidade espanhola. De forma provocadora colocaram urnas na rua, participaram funcionários públicos, abriram escolas públicas, contra as advertências do Tribunal Constitucional e o próprio presidente catalão diz "o responsável sou eu". Isso é muito grave porque durante 12 horas de votação foi aberto um desafio à legalidade.

Através do Twitter e de um comunicado da plataforma Libres e Iguales, criticou o silêncio do primeiro-ministro Mariano Rajoy sobre a consulta do 9-N. O governo devia ter atuado de outra forma antes, durante e depois da consulta?

O Estado de direito é o que garante os direitos e as liberdades de todos os cidadãos. Não pode deixar de responder ao desafio. Tem de lhe fazer frente e advertir os que o pretendem desafiar. Também deve intervir para que o delito não se realize. Quando falei, era neste contexto e estava a recolher um sentimento de desamparo de muitas pessoas. Nós, democratas, devemos sentir-nos sempre amparados e ter a proteção do Estado de direito porque é o que garante a nossa liberdade. Quando se está passivo, perante um delito, temos um sentimento de desamparo.

As palavras de Rajoy uns dias depois foram suficientes?

Não quero incendiar mais, não era e não é essa a minha intenção.

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