"Em Cuba dizem: socialismo ou morte. Mas há coisas pelo meio. É só procurar"

Havana está a sete mil quilómetros de distância de Lisboa, mas o que lá se passa é seguido ao pormenor por quatro cubanos

Quando regressa a Havana, Karla Suárez já não reconhece a cidade e o país da sua infância: "Cresci nos anos 1980 e Cuba era uma coisa, depois de 1989 e da queda da União Soviética tornou-se noutra. Agora, estamos novamente em transição e não sei que país vai ser." Mas a escritora que vive há cinco anos em Lisboa tem esperança de que o reatar de relações entre Havana e Washington, após meio século de costas voltadas, traga mudanças positivas. Uma esperança que não é consensual entre os cubanos que vivem em Portugal.

"Enquanto um dos Castros for vivo, é melhor esquecerem, porque não haverá mudanças nenhumas." O pessimismo é do cirurgião Miguel Pinto, que não voltou a pisar a sua ilha desde que fugiu para Portugal, em 1992. "A Cuba convém muito o embargo norte-americano, porque assim justifica todos os seus problemas económicos", explica, defendendo que, sempre que houve outras tentativas de aproximação, Havana acabou por "dar cabo" de tudo. "Se está tão interessada em salvar o país do embargo, então porque é que exige tantas condições a Washington?"

No dia 17 de dezembro, depois de 18 meses de conversações secretas com o apoio do Papa Francisco e de uma troca de prisioneiros, o presidente norte-americano, Barack Obama, e o seu homólogo cubano, Raúl Castro, anunciaram o início de negociações para o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países. O primeiro encontro bilateral, em Havana, foi a 22 de janeiro. A segunda ronda de negociações deverá ocorrer ainda este mês, em Washington. Entre outras exigências, Raúl quer que os norte-americanos deixem a base de Guantánamo.

Um longo e sinuoso caminho

"Cuba sempre esteve ali. Foram os EUA que romperam relações connosco. Tem de partir deles querer mudar as coisas", diz Victor Guerra. Diplomata durante 25 anos ao serviço de Cuba - esteve à frente da missão em Lisboa entre 1989 e 1992 - e jornalista, Victor voltou a Portugal em 1999, já casado com Isabel, uma antropóloga portuguesa; juntos, criaram a Associação de Cubanos Residentes em Portugal.

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