Dois sérvios-bósnios condenados a 22 anos de prisão

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia condenou hoje dois antigos responsáveis sérvio-bósnios a 22 anos de prisão pelo papel que tiveram na campanha para expulsar muçulmanos, croatas e outros não-sérvios da Bósnia durante a guerra de 1992-1995.

"O Tribunal condena Mico Stanisic a uma pena única de 22 anos de prisão", declarou o juiz Burton Hall, pronunciando em seguida a mesma pena para Stojan Zupljanin.

Stanisic, 58 anos, foi ministro do Interior no governo sérvio da Bósnia e Zupljanin, 61, era seu subordinado, enquanto chefe dos serviços de segurança regional.

Segundo os juízes, os dois foram responsáveis por crimes contra a humanidade e crimes de guerra ao terem ordenado o destacamento de forças de segurança que, entre 01 de abril e 31 de dezembro de 1992, cometeram execuções, violações e torturas, entre outros crimes, contra muçulmanos e croatas nas chamadas regiões autónomas sérvias.

"O tribunal considera que o objetivo desses atos era o estabelecimento de um Estado sérvio tão etnicamente puro quanto possível", afirmou o juiz Burton Hall. "Através desses atos e de omissões, (Mico Stanisic) tinha não apenas a intenção como contribuiu de maneira significativa para expulsar os muçulmanos e croatas da Bósnia do território em causa", acrescentou.

Formalmente acusado pelo TPI em fevereiro de 2005, Stanisic entregou-se às autoridades e foi transferido para Haia em março seguinte. Em julho do mesmo ano, foi-lhe concedida liberdade condicional até ao início do julgamento, a 14 de setembro de 2009.

Zupljanin, que mais tarde foi conselheiro do líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, cujo julgamento decorre no TPI, foi detido em 2008 depois de mais de nove anos a monte e mantido sob custódia desde então devido ao risco de fuga.

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