Dinamarca reivindica Polo Norte de olho no petróleo e gás natural

Governo de Copenhaga junta-se a Noruega, Rússia e Canadá na disputa territorial.

Neste momento, as zonas económicas exclusivas dos países que tocam no Ártico terminam a 200 milhas da sua costa, como é regra, deixando no meio um vasto território de ninguém. Agora, a Dinamarca juntou-se à Noruega, Rússia e Canadá ao reivindicar formalmente na ONU o direito a parte desse território cujos fundos submarinos se pensa poderem esconder vastas reservas de petróleo e gás natural.

A pequena Dinamarca, com os seus 5,6 milhões de habitantes e uma área de 43 mil km2 (sem contar com a gigantesca Gronelândia e as ilhas Faroe), reivindica assim o controlo de 900 mil km2 de território. Esta área - uma imensidão de mar coberto de gelo - fica ao largo da costa da Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca, onde o recente reforço de poderes concedido por Copenhaga não parece ter travado os desejos independentistas. "É um momento histórico", garantiu à BBC o chefe da diplomacia dinamarquês, Martin Lidegaard.

Leia mais pormenores no epaper do DN

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...