Dezenas de milhares vindos de toda a Espanha na Marcha da Mudança

Dezenas de milhares de pessoas enchiam pelas 12:30 (hora local) a Praça Cibeles e a subida da Rua de Alcalá (Madrid), em frente ao Banco de Espanha e ao Instituto Cervantes, para participarem na "Marcha da Mudança", organizada pelo partido Podemos.

A "Marcha da Mudança" foi convocada pelo partido Podemos, liderado por Pablo Iglesias, que no domingo da vitória do Syrisa, nas eleições da Grécia, disse que neste dia, 31 de janeiro, começaria a contagem decrescente para que o atual Governo de Espanha, formado pelo PP, saísse do poder.

Homens e mulheres de todas as idades - bebés em carrinhos, crianças, jovens e idosos, incluindo em cadeiras de rodas - acorreram ao apelo do Podemos e protestaram nas ruas de Madrid por uma política diferente daquela que tem sido seguida desde há três anos pelo executivo de Mariano Rajoy.

Empunhando cartazes com palavras de ordem como "Se queremos, Podemos" e outros bastante mais ofensivos, os apoiantes do partido de Pablo Iglesias vieram de todas as partes de Espanha.

A praça e ruas adjacentes estavam pelas 12:30 (11:30 em Lisboa) pintadas de roxo com os cartazes do Podemos. Uma das frases mais comuns que se podem ler é "Crer é Poder, Podemos".

Angel, um cidadão de Alicante, de 37 anos, juntou-se à manifestação do Podemos com a família, porque acredita que Espanha precisa de mudar, que as políticas do Governo de Mariano Rajoy estão comprovadamente erradas.

"Há que operar uma mudança neste país. Há outra maneira de fazer as coisas, que beneficie mais as pessoas e menos as empresas e os bancos, como até aqui", contou à agência Lusa.

Para Angel, as eleições na Grécia não são comparáveis com as eleições do final do ano em Espanha, mas o "caminho que o Syriza abriu será importante".

"Mas será difícil, sobretudo combater a indiferença", disse.

Das ideias de Pablo Iglesias e do Podemos para a economia e o governo de Espanha sabe pouco, preferindo salientar que "é preciso uma varridela na política".

"É preciso uma renovação da casta política, controlar os monopólios. E que a sociedade comece a mudar, para melhorar este país", disse, acrescentando, no entanto, que não acredita que o Podemos ganhe as próximas eleições gerais em Espanha.

Sondagens recentes colocam o Podemos a dois pontos percentuais do partido no poder, o PP, mas Angel considera mais realista que quando o país for a votos, no Outono, o partido ganhe força no parlamento.

"Não vai ser de hoje para amanhã. Mas vamos meter a cabeça no Congresso dos Deputados (Parlamento)", disse, bem disposto.

Presente na manifestação esteve também a deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins, que disse aos jornalistas que as eleições gregas abriram uma nova página na Europa.

"Nada ficará na mesma depois da Grécia. Pela primeira vez a Europa elegeu um Governo contra a austeridade", afirmou a deputada.

O aparato policial na manifestação não é muito intenso, mas há polícias em frente aos principais edifícios ligados ao poder local, como a Câmara Municipal de Madrid, bem como um helicóptero a sobrevoar em permanência o espaço da manifestação, que decorre com tranquilidade.

Juntaram-se à marcha pessoas vindas de todos os lados de Espanha. O Podemos conseguiu reunir 260 autocarros, com 40 lugares cada um.

Vestidos com o roxo tradicional do Podemos, com palavras de ordem em catalão, em castelhano, em basco ou em galego, os manifestantes estenderam-se por toda a rua de Alcala, desde a Praça Cibeles até à Porta do Sol, e muitos até ironizavam quanto ao que os media e o PP vão dizer da "Marcha da Mudança".

"Logo direis que somos cinco ou seis", entoaram em uníssono, convencidos do êxito do protesto.

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