Deputado da Frente Nacional converte-se ao Islão e lança controvérsia

Maxence Buttey tem 22 anos, é deputado municipal do partido de extrema direita francês, e converteu-se: agora é muçulmano. E diz que partido e religião têm muito em comum.

"Claro que alguns dos meus eleitores vão ficar desiludidos com a minha escolha", diz ao jornal Le Parisien o jovem Maxence Buttey. Eleito pela Frente Nacional em Noisy-le-Grand, um subúrbio de Paris, Buttey converteu-se ao Islão pouco depois da campanha.

Adepto de um Islão moderado, Maxence Buttey é contra o niqab (o véu que cobre tudo menos os olhos), contra a exclusão, e diz que o Islão pretende unir homens e mulheres. E acrescenta que a religião e a Frente Nacional têm muito em comum. "Ambos são diabolizados e muito distanciados da imagem que os média dão. Como o Islão, a Frente Nacional defende os mais fracos", explica. E acrescenta semelhanças mesmo no campo económico: "O partido denuncia as taxas exorbitantes de juro da dívida do nosso país. E o islão é contra a prática da usura."

A Frente Nacional, partido de direita radical francês com uma postura anti-imigração, tem mostrado algum desconforto com a conversão do seu deputado. O problema não recai, dizem os representantes, na religião, mas sim num vídeo que Buttey enviou ao departamento local do partido em que falava dos aspetos visionários do Corão.

"A sua religião não é um assunto do partido porque nós defendemos a laicidade", explica Florian Philippot, vice-presidente da Frente Nacional, citado pela televisão RTL. "Mas aqui, saímos do domínio da convicção pessoal e da fé. Um partido político não é lugar para isto."

O secretário departamental da Frente Nacional em Seine-Saint-Denis (grupo de que faz parte Noisy-le-Grand), Jordan Bardella, decidiu suspender Maxence Buttey da sua posição num comité. "A religião é uma escolha privada que eu respeito, mas que não deve entrar na esfera das nossas atividades políticas", disse ao Le Parisien.

Entretanto, Didier Laubane, outro representante eleito da Frente Nacional, citado pelo Metro News, diz: "Estou-me nas tintas para a conversão dele, mas tenho questões. Buttey é realmente influenciável, quem diz que não vai tornar-se terrorista?"

Maxence Buttey continua a pertencer ao partido e a exercer as suas funções enquanto deputado local, segundo o The Telegraph, porque a Frente Nacional não tem poder para o retirar das suas funções. O jovem respondeu à controvérsia num comunicado : "Os comentários de uns e de outros não me interessam. Visto que não fiz proselitismo, não vou comentar a sanção que me foi feita pelo secretário departamental, visto que isso só o envolve a ele."

Buttey aproximou-se do islamismo através de um colega da faculdade, e decidiu converter-se quando conheceu o imã de Noisy-le-Grand, durante a sua campanha pela Frente Nacional. "Era católico mas, quando reli a Bíblia, apercebi-me de todas as incoerências. Quando li o Corão de maneira aprofundada, compreendi que esta religião é mais aberta", contou ao Le Parisien.

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